Fã escreve carta aberta a Geoff Johns sobre minorias


Postado em 12/04/2012, por Morcelli
Em: Notícias , Quadrinhos


[o artigo abaixo contém spoilers]

Uma das coisas mais problemáticas da internet é a chamada “polícia do politicamente correto”, que vem se acentuando mais recentemente graças à popularização das redes sociais. “Injustiças” para as quais ninguém sequer dava importância antes da internet tornaram-se motivo para criticar toda e qualquer coisa. O mundo ficou chato. De qualquer forma há coisas que merecem (e precisam) ser denunciadas, assim como há coisas que ficam no meio do caminho. Este último caso é o que se aplica na carta que o fã (e escritor de quadrinhos) Dara Naraghi escreveu ao colega de profissão Geoff Johns.

Naraghi defende um melhor tratamento das minorias étnicas nos quadrinhos americanos, exemplificando seu argumento com a personagem Kahina the Seer (Kahina, a Vidente), uma iraniana. Mal ela apareceu em Aquaman #7 como parte dos Others e já foi brutalmente assassinada pelo Arraia-Negra.

A indignação de Naraghi surgiu do fato de que, nos quadrinhos, sempre são as minorias as assassinadas, e esta personagem sequer teve a chance de ser explorada. “Por favor, saibam que esta não é mais um daqueles ensaios dizendo que a DC Comics é racista e tudo mais, e tenho dado total suporte à iniciativa da editora de trazer um número maior de personagens diversificados ao ser universo. Mas não entendo a lógica de criar uma nova personagem de minorias – de um país e cultura que estão sendo representadas pela mídia como malignos hoje em dia – apenas para que ela fosse assassinada em sua primeira aparição. Qual foi o propósito disso, além de um ponto no plot?” disse Naraghi.

E ele complementou: “Não pedindo para a DC criar um monte de personagens iranianos, ou até que todo mundo deveria ser herói, nem que um dia morressem. Entendo completamente necessidades narrativas, personagens principais e coadjuvantes, motivações etc. Mas quando não há nenhuma representação de uma determinada etnia numa revista e ela acaba morta logo que aparece, não representa produtividade nenhuma. É um desserviço com o público, um passo pra trás nas tentativas de diversificar o conteúdo, e só reforça os estereótipos negativos nas revistas de super-heróis.

De fato o autor tem um ponto aí e muitos dos comentários que surgiram de sua indignação não apenas o apoiaram, como também esclareceram o quão fracos estão os argumentos de Geoff Johns nos últimos tempos. “Há revelações sensacionalistas, morte e sangue gratuitos. Isto é um gibi de Geoff Johns, grande novidade” disse um fã nos comentários do Robot6.

A editora prometeu que investiria na representação étnica correta e diversificada dos personagens em seu DC Relaunch, principalmente porque sabe qual é o alcance mundial de suas histórias, mas até agora pouco mostrou – e deste pouco menos ainda realmente se aproveitou. Mesmo que Kahina seja mostrada em flashbacks nas próximas edições, a primeira impressão foi a de sua morte.

Naragui, claro, está também puxando a sardinha um pouco para seu lado, mas seu argumento é bem forte. Em revistas de alcance mundial (e com as facilidades da internet para se aprender um pouco mais sobre outras culturas), por que tudo tem que ser tão estereotipado, menos os americanos? Ora, se a editora toma a iniciativa de representar outras culturas o mínimo que se pode fazer é entender um pouquinho sobre elas para que não caia nas armadilhas da mesmice ou do preconceito.

Por outro lado, e isto precisa ser dito, foi apenas mais uma morte e nos quadrinhos ela chega pra todo mundo, rápido ou não. Até o momento Johns não respondeu à carta, mas se ele ficar sensibilizado com a argumentação certamente dará um jeito de explorar melhor a personagem de alguma forma – nem que seja para dizer que, na verdade, ela não morreu.


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Comentários

  1. Lib diz:

    É complicado…
    Se os vilões continuassem à contar seus planos enquanto os mocinhos estivessem “presos na morte certa”, dando a eles tempo o suficiente para escaparem e arruinassem tudo, as pessoas reclamariam da infantilidade das histórias.
    Se os vilões se tornam mais agressivos, violentos e “eficientes”, temos um “banho de sangue desnecessário”.
    Não me entendam mal, não estou defendendo o Johns… Na minha opinião, tem tempo que o material dele caiu de medíocre para ruim. Quando ele tinha suas taras por cronologia o texto dele era divertido… Agora que ele tá cagando pra isso, ele não passa de um versão 2.0 do Loeb, pra mim.
    Mas agradar aos fãs é algo complicado.
    Alguém tem que morrer.
    Se não fosse a iraniana seria a brasileira? E se fosse um personagem norte-americano? Então tudo bem, certo? Minorias devem ser protegidas, então? Como uma “cota”? Qual é o sentido exato disso?
    Não que eu ache lógico criar um personagem com tanta capacidade de background para mata-lo na primeira aparição. A grande sacada de abordar uma minoria é a possibilidade de plots que envolvem essas minorias. Seja essa minoria consequência de etinia ou opção sexual ou classe social.
    Mas, convenhamos, o Johns teria mesmo capacidade de caracterizar de maneria digna uma minoria tão delicada? Sará mesmo que ele queria a responsabilidade de combater anos de esteriótipos hollywoodianos mostrando “árabes” como sujos/terroristas/”Silence! I KILL YOU”?
    Eu duvido muito.

  2. Kleber Ivo diz:

    Cara entendo a indignação do Naraghi mas vamos ser sensatos, eles esperava o que de um americano, que trabalha numa editora americana?

    Se realmente a DC quer ser mais “justa” com as “minorias” melhor seria contratar mais pessoas que sejam familiarizadas com essas culturas pra ESCREVER seus títulos.

  3. Bob Nerd diz:

    Em parte eu concordo com a indignação do autor da carta, porém acho que nesse reboot foi dado um grande passo visto que temos uma revista dedicada somente a um herói africano. Batwing, que está sendo muito bem feita. Uma das melhores.
    Combater esteriótipos em qualquer mídia é complicado, quase não tem como fugir disso. Seria bom uma diversificação maior em de etnias nos quadrinhos, principalmente para amenizar os preconceitos existentes mas precisamos ver o mercado. A maioria das vendas creio que seja dos EUA e não sei se esse público é totalmente aberto à essa iniciativa.

    Então enquanto a principal fatia do mercado não se interessar, não vai rolar. É algo chato mas é assim que a banda toca.

  4. Vohuman diz:

    A questão é que o povo Estadunidense é muito centrado no próprio umbigo e cheio dos preconceitos. se a DC resolve tratar outras etnias com mais destaque, ainda mais as que eles consideram “vilãs”, vai chover cartas criticando a ameaça os valores.

  5. Quanto a questão do sangue e da violência… bem, parece ser o que a maioria do povo precisa ver na história para considerar como algo que seja bom/adulto/pro bico deles. Vá entender.

    Quanto aos estereótipos, é um tema complexo. Se por um lado é bom representar minorias, por outro pode cair na coisa de “só está por cota” ou coisas assim.

  6. Algures diz:

    Quando se é um homem branco, heterossexual, judaico-cristão e acima da linha de pobreza é muito fácil esquecer que existe preconceito. E não estou falando isso fazendo juízo de valor; afinal de contas, se não vivemos uma realidade, não vamos nos dar conta de certas coisas a respeito dela a menos que sejamos confrontados por isso (seja por ter um amigo que é inserido dentro daquele contexto, ou até porque lemos ou vimos algo sobre o assunto).

    Eu realmente acredito que isso não é “de propósito”. A DC parece mesmo querer diversificar seus títulos e seus personagens, só que aí eles “precisam”de uma cena dramática e o que eles fazem? Matam o bucha. E o bucha, infelizmente, é com muita frequência parte de uma minoria, já que os personagens clássicos da DC são todos brancos e bem de vida (vamos lembrar que Clark é repórter, Flash perito criminal e Lanterna Verde Piloto de testes. Salário mínimo pode ter certeza que não ganham, eheueheuheu).

    Deveriam começar a dar relevância para personagens que fazem parte de “minorias” (odeio esse termo)? Claro, mas aí criam um personagem como o Aqualad negro para tentar torná-lo um personagem relevante e chiam porque querem o Aqualad original (branco) de volta.

    Embora possa parecer que eu estou defendendo o Johns, eu na verdade acho que, MESMO achando que essas decisões de matar personagens de “minoria” seja apenas uma consequência do contexto histórico do pr´øprio universo DC, acho que esse tipo de iniciativa é improtante, justamente pelo motivo que incluí no iníciio do meu comentário: Para que os autores (em que muitos não estão inseridos em uma “minoria” – ou não se vêem como parte de um) sejam confrontados com isso e comecem a pensar a respeito. E, quem sabe, começar a mudar certas coisas em seus roteiros.

  7. King Moby diz:

    Realmente, “minoria” é um termo que já está enchendo o saco. No final, todo mundo é uma minoria, pois ninguém é igual ao outro, cada um é único.

    Sendo assim, quero um gibi onde eu apareça sem morrer logo de cara. Vou mandar uma carta pro Johns!!!

  8. Kleber Ivo diz:

    “Claro, mas aí criam um personagem como o Aqualad negro para tentar torná-lo um personagem relevante e chiam porque querem o Aqualad original (branco) de volta.”
    Concordo com vc Algures, tem muito fanboy mimizento. E na minha opinião o problema maior é que os personagens das “minorias” não são bem elaborados. Quando são é quase imediata a identificação e aceitação pelo público, um exemplo disso é o Nick Fury Ultimate, que ficou tão bom que simplesmente dizimaram a contra parte CAUCASIANA do cinema.
    Outro exemplo é o John Stewart o personagem foi tão bem construído nas animações da JLA que muita gente não comprou a ideia do Lanterna Verde do filme ser o Hal Jordan e não o John.

  9. Lam diz:

    Sobre esteriotipos, o problema dessa merda é que quem tá escrevendo é estadunidense.

    Quando surge uma HQ com tema Brasil, cai na merda do tema Amazonia, Carnaval ou Futebol e a gente fica naquela “tem tanto brasileiro trabalhando lá fora, por que diabos não colocam um pra escrever (ou fazer os argumentos) das histórias no Brasil ou com personagens brasileiros?).

  10. Lam diz:

    Melhor personagem negro da atual é o Aqualad do desenho Young Justice. Não transformaram o personagem em um cara de gueto ou mother fucker, ser negro é apenas um detalhes. Não é um personagem negro e sim um personagem que é negro (não sei se deu pra entender o sentido da frase).

  11. Lam diz:

    Ops.. da atualidade.

  12. Paula Tejando, que voltou do Canadá! diz:

    @Kleber Ivo diz:

    Aí é que esta Kleber. Personagnes negros bens construidos e não personagens meramente “negros”. Na Liga Sem Limites, pelo menos não recordo, não foi abordada qualquer ponto racial em relação ao John Stewart . Ele era legal não por ser negro mas por ser bem roteirizado.

    No caso dele “a personalidade NÃO era seu poder”

  13. Melhor personagem negro da atual é o Aqualad do desenho Young Justice.

    Concordo totalmente.

    O personagem foi uma ideia muito bem conduzida e representada.

    Não é um personagem negro e sim um personagem que é negro (não sei se deu pra entender o sentido da frase).

    Sim, deu para entender.

    O personagem foi suficientemente bem-feito para que sua etnia fosse apenas um detalhe sem importância e não que sua existência se resumisse a cumprir sistema de cotas.

  14. Advisjet diz:

    Eu já faço outra leitura. É a de que EUA já está preparando a máquina de guerra pra cima do Irã. Se a campanha do Afeganistão e Iraque não tivessem sido tão custosas (em termos de capital politico, financeiro e moral) eles já estariam em cima do país dos persas. E quanto o mimi do “politicamente correto” na internet, acho que isso não seja um “atraso”. A defesa dos direitos civis e das minorias é uma necessidade premente. Mas a defesa não é pra ser feita contra/entre pequenos usuários de blogs e produtores de conteudo alternativo a grande midia. Mas sim contra ao grandes grupos de midia que se associam ao capital financeiro, eles sim são os maiores rolos compressores contra os direitos civis. Inclusive acho o termo politicamente correto a melhor forma pra rotular qualquer autor/representante/ativista de alguma causa civil e diminui-la. Bota tudo dentro do mesmo saco e chama igual! Fizeram isso com pirataria e distribuiçao digital, violência nas escolas (bulling) e descaso com educação. É pra confundir e conquistar. Mas a leitura do artista iraniano também é correta: a de que Geoff Johns é completamente incompetente pra tratar destas histórias. As historias pornograficas do Alan Moore e as de transgressão anarquista do Grant Morrison foram muito mais instigantes e divertidas formas de se falar sobre a mulher, a liberdade e poder.

  15. Kleber Ivo diz:

    Advisjet: “Geoff Johns é completamente incompetente pra tratar destas histórias.” De quais histórias? Segundo uma BOA GALERA, ele é incompetente pra tratar de QUALQUER História!!! ahauahuahahuahhahuah

  16. Lam diz:

    Mas o John Stewart ficou legal, justamente porque ficou esteriotipado. Virou o negão casca grossa militar (na HQ ele virou isso). Esqueceram também, que ele é acima de tudo um ARQUITETO! Ele é um cara que constroi e não um cara que ataca, que destroi.

  17. Lam diz:

    O Aqualad “virou” negro apenas pelo fato dele ser filho do Arraia Negra e não pra ficar empurrando cota. O lance dele é mais por ser um herói filho de vilão.

    Obviamente no desenho, colocaram ele por causa do criador lá do Super Choque que empurra personagens negros em tudo, mas felizmente o personagem foi bem encaixado.

  18. Advisjet diz:

    @Spider-Phoenix @Kleber Ivo concordo em parte.
    O John Steward na animação foi “bem construído” mas não teve nenhuma história em que o preconceito fosse abordado, se não me falha a memória (se falhou me avisem). E se o vemos nos quadrinhos ele foi o precursor disso na revista do Lanterna e Arqueiro Verde, na fase do Neil Adams . Também concordo parcialmente com o Aqualad da Young Justice. Mas não tem histórias onde ele sofre preconceito, talvez Atlantida seja mais pluriracial e menos preconceituosa. A verdade é que poucos autores são capazes de chegar com uma abordagem que não seja superficial. Seja por que não conseguem entender o outro (pelos motivos apontados pelo @Algures acima) seja porque o publico majoritário nos EUA não tão nem ai pra isso e gibi é feito pra dar dinheiro.
    Parece-me que Dwayne McDuffin tinha alguma mão pra isso, mas não tenho muita certeza pois li poucas histórias dele.

  19. Lam diz:

    Minoria é Não-Caucasiano e Não-Heterossexual. Não importando a quantidade predonimante da região. Nossa sociadade enxerga como o COMUM, a MAIORIA ou até o NORMAL a pessoa ser branca e heterossexual.

    Eu sou meio contra essa ideia de “temos que diversificar” apenas pelo politicamente correto, porque surge essas merdas como criar um personagem “diferente” que não vai ser bem utilizado, vai ser esquecido ou nunca terá a mesma importancia do personagem tradicional ou famoso.

  20. Advisjet diz:

    Mas Lam se não tiver um empurrão nesse sentido, nada é feito! Mas concordo não se deve deixar a qualidade de lado. Senão alimenta-se mais ainda idéia de que não dá pra tirar nada destes personagens.

  21. Laís diz:

    Acho válida esta crítica. Como disseram aqui nos comentários, a maioria dos personagens de etnias e culturas diferentes não são bem explorados. Seria maravilhoso se algum autor estudasse de fato uma cultura diferente, por exemplo islâmica, a retratasse de forma mais próxima da real e não com a recorrente (e equivocada) visão difundida pela mídia. Isso abriria espaço até mesmo para debates mais profundos sobre alguns conceitos e valores que inconscientemente consideramos universais, mas são na verdade apenas construções da sociedade ocidental, não sendo presentes em todas culturas. Isso seria uma incrível oportunidade de abrir mentes e desconstruir preconceitos.

    Óbvio que o autor que fizesse isso iria receber muitas críticas, mas poderia até ser um marco na história dos quadrinhos! Acho que hoje em dia falta nos escritores um pouco de ousadia nesse sentido.

  22. Laís diz:

    Mas talvez seja um pouco demais imaginar que essas mudanças aconteçam numa indústria ‘mainstream’ de quadrinhos, quando o que vários leitores querem mesmo é ver porrada e heroínas com pouca roupa…

  23. Max diz:

    O termo “politicamente correto” vem sendo muito banalizado e empregado de forma pejorativa. Formadores de opinião com tendências direitistas e reacionárias conseguiram difundir a idéia de que quem defende uma igualdade nos direitos civis não passa de um chato reclamando em vão. Admito que há grupos que questionam com um ar de patrulha esquerdista extremada, mas sem a parte sensata dos “politicamente corretos” na sociedade, a que vem levantando a bandeira dos direitos civis, da liberdade de conduta sexual e do respeitos as etnias e etc., seria muito difícil termos o mundo menos chato( sim, senhores e senhoras, mesmo com a graça dos Trapalhões, o mundo era mais complicado para os que hoje ainda são marginalizados) que temos hoje! O questionamento da autora é válido enquanto debate, no final, estarmos expondo aqui nossos pontos de vista com civilidade, soluciona mais do que simplesmente ter razão e promove a busca por um tom certo para tratar dessas questões com justiça! Se a DC quer a presença das ditas “minorias”, algumas atribulações serão inevitáveis e fazem parte do caminho para o êxito, seja ele social ou simplesmente financeiro. :)

  24. Esqueceram também, que ele é acima de tudo um ARQUITETO! Ele é um cara que constroi e não um cara que ataca, que destroi.

    Taí uma característica do personagem que poderiam ter explorado no desenho e teria feito sentido com a identidade heroica dele.

    O Aqualad “virou” negro apenas pelo fato dele ser filho do Arraia Negra e não pra ficar empurrando cota. O lance dele é mais por ser um herói filho de vilão.

    Se eu não me engano, havia sido dito que a intenção dos produtores era mesmo oferecer a diversidade. Mas ainda assim, eu achei a execução muito bem feita.

    Obviamente no desenho, colocaram ele por causa do criador lá do Super Choque que empurra personagens negros em tudo, mas felizmente o personagem foi bem encaixado.

    Na verdade, isso aconteceu com o John Stewart. O McDuffie (que Deus o tenha) não teve envolvimento em Justiça Jovem, até onde se está sabendo.

    Também concordo parcialmente com o Aqualad da Young Justice. Mas não tem histórias onde ele sofre preconceito, talvez Atlantida seja mais pluriracial e menos preconceituosa.

    Se eu me lembro bem, nas HQs, a Atlântida era retratada como sendo MUITO racista. E se não me engano, um ponto da história do Garth (Aqualad I) e dos motivos que o levaram a virar parceiro do Aquaman era de que ele havia sido rejeitado pelo povo por ter olhos púrpuras.

    Eu sou meio contra essa ideia de “temos que diversificar” apenas pelo politicamente correto, porque surge essas merdas como criar um personagem “diferente” que não vai ser bem utilizado, vai ser esquecido ou nunca terá a mesma importancia do personagem tradicional ou famoso.

    Concordo. Acredito que um personagem, não importa a cor ou o sexo, tem que ser representado de forma que sua colocação na trama tenha relevância, sua existência naquele universo seja justificada e não que ele (a) seja usado como forma de evitar determinadas críticas.

    Diversidade é importante? Claro. E concordo com algo que o Ellis disse uma vez sobre “quadrinhos são para todos e todos tem o direito de se ver nos quadrinhos”. No entanto acredito que isso tem que ser feito de forma que seja funcional e que ou acrescente algo à trama ou seja algo que se torne apenas um detalhe na caracterização do personagem.

  25. Erico Pessoa diz:

    Acho injusto é falarem que é “coisa de americano”. Na realidade, eles são os únicos que realmente tem inserir uma minoria em suas histórias e ainda lidar com o peso de desenvolve-la bem, devido ao alcance mundial do que eles fazem.

    Nunca vi ninguém reclamando desse tipo de coisa em animes (e todas as coisas feitas no Japão). Onde os personagens são praticamente 100% japoneses e quando não são, também são buchas!

    Não acho que a tal carta não tenha um “ponto”, mas vejo que a DC está tentando fazer as coisas de uma forma melhor. E não vejo culpa no Geoff Johns nisso…

  26. Advisjet diz:

    Falando em preconceito ainda e me lembrando de uma ótima história que faz alusão sobre “relacionamento interracial”, escrita pelo Alan Moore. É na revista do Monstro do Pantâno. Ela serve pra negros, argelinos, etc. Em uma edição a Abigail “transa” com o Monstro e vemos que aquilo é transcendente para ambos. Mais adiante na saga vemos Abigail sofrer as consequências de ser vista se relacionando com o pária do Monstro do Pantâno. Temos ali toda uma narrativa de preconceito que um casal “interracial” teria no passado, e em alguns lugares, no presente. Tente colocar no lugar do Monstro um negão e veja se não fica coerente? Lembre-se, eles estavam na Louisiana… Mas isso foi numa epóca em que o autor e a editor(a) da DC não podia, ou não queriam, se expor abertamente.
    Hoje se tem mais liberdade pra se abordar isso e nego, digo branquelo, ainda não aprendeu e fica fazendo cagada! Mas acho que muito disso se deve a falta de experiência de vida nesse sentido. A pluralidade nos quadrinhos vai vir quando houver mais pluralidade nos meios de produção dessa midia.
    PS: Acho que a editora do Alan Moore na época era Karen Berger, me corrijam se estiver errado. Mais um motivo pra ter saido daquele jeito.

  27. Leo diz:

    deviam começar colocando um irmão branco no Everybody Hates Chris

  28. Acho injusto é falarem que é “coisa de americano”. Na realidade, eles são os únicos que realmente tem inserir uma minoria em suas histórias e ainda lidar com o peso de desenvolve-la bem, devido ao alcance mundial do que eles fazem.
    Nunca vi ninguém reclamando desse tipo de coisa em animes (e todas as coisas feitas no Japão). Onde os personagens são praticamente 100% japoneses e quando não são, também são buchas!

    Com o relator. O pessoal fala dos EUA mas cada país tem lá a sua cota de “bairrismo”. Só é mais notável no caso deles porque seus produtos tem maior projeção mundial.

  29. JB Uchôa diz:

    Que exagero bobo. Vamos ver a formação da liga:
    Batman: americano
    Aquaman: hibrido
    Mulher-Maravilha: Grega
    Superman: alienigena
    Flash: americano
    Lanterna Verde: americano
    Cyborg: americano, porém afrodescendente.

  30. Carlão diz:

    Até entendo a raiva da mulher, mas acho que exagerou um pouco. Não foi a DC que um tempo atrás fez um crossover com uma série de heróis muçulmanos, os 99?

  31. Arnim Zagarian diz:

    E novamente, como no post sobre o gangster grego na revista da Catwoman, reafirmo que mesmo achando muito positivo que certas pessoas estejam tomando para si as dores de personagens com os quais se identificam, também não deixo de notar uma tendência destas mesmas pessoas a ignorar o grande quadro. E com “grande quadro”, quero dizer: O ESTEREÓTIPOS JÁ ESTAVAM AO REDOR MUITO ANTES DE APARECEREM NOS GIBIZINHOS DE SUPER-HERÓIS!!! Onde esse pessoal indignado tava quando outras mídias produziram exemplos ainda piores de descaso, ou mesmo flagrante desrespeito a determinados grupos?? Agora, se o problema pra essas pessoas é que sua mídia favorita é falha, e não consegue promover a integração, quem sabe não seja hora de procurar outra, ou de produzirem seu próprio material, isento de preconceitos? Por que esperar que o “exemplo” sempre venha de cima?
    De qualquer forma, é um debate excelente.

  32. King Moby diz:

    Não entendo essa mania de querer diversificação racial por ideologia. Os gibis são feitos por uma determinada cultura e é normal tocar em pontos específicos deles. Os estadunidenses não estão errados, apenas falam do que veem todos os dias: a cultura deles.

    A Fernanda Montenegro quando foi candidata ao Oscar disse que não esperava muita coisa em relação a premiação, pois o Oscar era uma festa do cinema deles e para eles.

    Vejo a mesma coisa nos gibis. Agora, se eles quiserem chegar em outros mercados que contém gente diferente, vai ter que ser mais multirracial e não para agradar um ou outro.

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