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Polêmica do Motoqueiro Fantasma vira debate na indústria


Postado em 15/02/2012, por Morcelli // em: Destaque, Notícias, Quadrinhos // 17 comentário(s)




O surgimento do anti-herói

O surgimento do anti-herói

Mais um capítulo na traumática disputa entre o criador do Motoqueiro Fantasma, o desenhista Gary Friedrich, e a Disney/Marvel aconteceu ontem conforme noticiado no blog Robot6 do CBR. O aclamado desenhista Sean Murphy tomou partido na briga e fez um anúncio a todos os seus fãs na tarde ontem. Segundo ele, nenhuma arte para convenção ou comissions serão produzidos com personagens que não lhe pertencem legalmente. E mais: ele encoraja outros desenhistas a fazerem o mesmo.

Estou com um certo medo da Marvel? Sim, mas… eles estão em seu direito legal de virem atrás de mim caso haja uma disputa jurídica” afirmou Murphy em seu devianART. “Eu gosto de reclamar um pouquinho das duas grandes, mas não posso (em sã consciência) ficar triste com eles se quem está quebrando as regras sou eu. Sendo exclusivo da DC, talvez eu consiga algo que me permita desenhar os personagens deles, então vou mantê-los informados“.

Fazendo um rápido retrospecto no caso, Friedrich processou a Marvel, a Sony Pictures e algumas outras empresas em 2007. O motivo do processo era a propriedade do Motoqueiro Fantasma, já que segundo o autor o acordo feito entre ele e a Marvel lhe fora revertido seis anos antes, pois a editora nunca registrou legalmente a primeira aparição do personagem em Marvel Spotlight #5 de 1972. Em 2010 a Marvel lançou um contra processo por danos causados por Friedrich, já que sua Gary Friedrich Enterprises LLC produziu e vendeu cards, camisetas e posters do Motoqueiro Fantasma sem autorização da Marvel. O processo incluía também acusação quanto a reproduções ilegais de pedaços de histórias, com roteiros e artes. Friedrich acabou perdendo a disputa contra a Marvel, sendo condenado a pagar US$ 17 mil para a editora.

Ty Templeton, conhecido por sua arte e tirinhas de humor, compilou bem o caso Friedrich num bate-papo entre seus personagens, mostrando inclusive um lado da disputa que os fãs não tinham enxergado até então: Gary foi pago pelo trabalho que fez; ele não é o único criador do herói; o personagem só se tornou popular na mão de outros artistas mais de 20 anos depois; os fãs estão levantando o dinheiro para que se mantenha bem no fim de sua vida.

A argumentação, claro, gira em torno da decisão ser dada em cima de um valor tão mesquinho para uma empresa multibilionária, o que geralmente vira debate passional entre fãs, profissionais, editores e advogados. Phil Noto fez questão de postar em seu Twitter que “Há uma diferença entre prints e sketchbooks e arte original. Os prints e os sketchbooks são uma área cinza onde as empresas podem reclamar seus direitos se quiserem. No entanto há total liberdade para vender um desenho à coleção pessoal de alguém. Pessoas que geralmente fazem recriações ou peças ‘eróticas’ de personagens talvez pudessem ser examinadas um pouco mais. A única coisa que pode frear a produção original de arte é um acordo entre companhias e convenções de não haver sketching nenhum – o que sinceramente me deixaria chocado“.

Stephen Bissette foi outro desenhista que quis se manifestar, postando em sua conta no Facebook alguns conselhos recebidos de seu advogado Jean-Marc Lofficer. Ele avisa: “Esta é a primeira vez que a Marvel está usando vendas convencionais de personagens seus como ‘arma’. Eles estão em perfeita posição de fazer isso, é claro, mas não significa que, de agora em diante, todos que desenham personagens da editora pra ganharem alguns dinheiro, ou vendem sketchbooks contendo alguns destes personagens, serão realmente processados (geralmente pelo triplo do que você obteve de lucro com isso). Meu conselho jurídico para vocês é simples: PAREM e destruam todos os sketchbooks à venda com material de copyright dentro. Estou falando sério. O caso cria precedentes“.

Murphy está tomando este conselho pra si, avisando ainda que “PAREM de fazer, criar ou vender QUALQUER sketch ou sketchbooks ou prints de personagens Marvel/Disney IMEDIATAMENTE. E façam com que os fãs saibam POR QUE isto está acontecendo e por que vocês NUNCA MAIS farão este tipo de coisa“.



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Comente aqui!

  1. Postado em 15/02/2012 às 8:25 | Permalink

    É… Parabéns MARVEL.
    Enquanto a DC fez o reboot para popularizar os personagens à um novo público, vocês estão matando uma das formas mais bacanas de conectar os fãs/artistas com seus personagens.
    Parabéns mesmo por fazer a industria dos quadrinhos ir na contra-mão!

  2. Postado em 15/02/2012 às 9:32 | Permalink

    Deixa eu ver se entendi: a Marvel está atacando os sketchs de todos ou apenas o de um artista que passou dos limites com o produto dela? Lendo a tirinha percebemos que Gary vendeu artes do motoqueiro fantasma feita por outros artistas, achando que o personagem era dele. Na materia anterior vemos que ele renunciara aos direitos do personagem.

    Ele não perdeu por estar fazendo meros desenhos do motoqueiro, mas por vender material do personagem de uma empresa que detem os direitos cedidos por ele. E se a Marvel tem 100.000 de custo, 17.000 é pouco.

    Sifu, Gary.

  3. Scheldon
    Postado em 15/02/2012 às 10:17 | Permalink

    Isso me lembra o YouTube tirando o som de vídeos cujas musicas “não tinham sido cedidadas”. Essa é um verdadeiro tiro no pé em marvel/Disney, não só arranjou antipatia entre leitores e profissionais como esta chamando a maioria dos desenhistas de bandidos já que todos fazem desenhos para os fãns.

  4. Daniel
    Postado em 15/02/2012 às 11:28 | Permalink

    #marvelfail

  5. Daniel
    Postado em 15/02/2012 às 11:41 | Permalink

    King Moby
    A questão aqui vai além do motoqueiro fantasma, não é só por que o Gary foi processado.

    Se um artista que hoje faz comissions de personagens da Marvel ( o que é uma prática comum, não é exclusiva do Gary, e não havia sido até então desestimulada) no futuro se tornar um desafeto da editora pode correr o risco de ser processado.

    Ou seja, se um artista contratado da Marvel se sentir lesado e quiser correr atrás dos seu direitos tem o “rabo preso” com a editora. Isso é um problema sério.

  6. Marcel
    Postado em 15/02/2012 às 12:40 | Permalink

    Vingança de uma corporação bilionaria contra um senhor de 60 anos de idade, e ninguém na Marvel fez nada? Cade o Homen Aranha numa hora destas? sera que só o chapolin defende os fracos?

  7. Paulo Maycon
    Postado em 15/02/2012 às 13:08 | Permalink

    E até onde isso vai parar? Meu irmão de quatro anos, assiste o Batman dês dos 2 anos. Pediu para mamãe fazer o aniversário dele com o tema do Batman. Nós fizemos morcegos de cartolina e penduramos na casa toda, compramos copos e pratos descartáveis, lembrancinhas balões, tudo do herói. Nós tiramos fotos do meu irmão com fantasia do Batman, com batarangue de brinquedo. Claro que não foi em uma loja da DC – até porque esse tipo de loja não existe aqui em fortaleza – e um amigo desenhou um painel gigante em forma de história em quadrinho usando meu irmãozinho com o mando do morcego. E agora, se a DC olhar o perfil no facebook da minha mãe com as fotos, vão nos processar também?

  8. Postado em 15/02/2012 às 13:24 | Permalink

    Daniel
    Aí é que está, Daniel. Eu acho que a coisa está sendo levada para o lado errado: a Marvel não está atacando quem faz os sketchs. Se ela quisesse fazer isso, teria feito anos atrás. Como disseram, muitos brasileiros fazem sketchs de heroinas em posições sensuais, do tipo que nunca apareceria nas revistas e nenhuma editora atacou por duas razões:

    1 – eles não consideram violação dos direitos e sim divulgação;
    2 – os artistas não ganham fortunas em cima dos personagens. O Gary estava ganhando dinheiro usando o personagem da Marvel através de uma empresa:

    “Gary Friedrich Enterprises LLC produziu e vendeu cards, camisetas e posters do Motoqueiro Fantasma sem autorização da Marvel”

    E ainda tem a cara de pau de processar a Marvel, a Sony Pictures e algumas outras empresas em 2007 …pô.. aí é demais. Antes ele ficasse apenas nos sketchs.

  9. Eduardo
    Postado em 15/02/2012 às 13:30 | Permalink

    Na minha opinião, os personagens não pertencem a nenhuma editora.
    Pertencem a nós, fâs. Sem nós, Batman, Superman e cia, seriam sombras passadas, nada mais que isso…

  10. James
    Postado em 15/02/2012 às 14:18 | Permalink

    Paulo Maycon

    Não, porque você não VENDEU nenhuma dessas fotos e desenhos. Agora se tivesse feito grana usando o Batman, aí sim a coisa ia complicar…

  11. Gabriel Fontes
    Postado em 15/02/2012 às 15:00 | Permalink

    Isso aí é muito mais complicado do que se imagina. É muito fácil torcer pra um indivíduo processando uma imensa corporação como a Disney/Marvel, mas o contrário parece bastante mesquinho.
    Espero que seja feita justiça, seja para um lado ou para o outro.

    =)

  12. Postado em 15/02/2012 às 18:16 | Permalink

    O problema principal não é julgar se a punição do Gary foi justa ou não. O problema é o precedente que isso criou. Afinal, isso dá margem para a Marvel processar qualquer “desafeto” ou profissional que considere que a esteja prejudicando.

    A Marvel pode até ter querido uma compensação (ainda que pequena em relação ao gasto) pelo processo, mas essa atitude de revanchismo pode prejudicá-la MUITO e fazê-los perder muito mais a longo prazo.

  13. Cassiano Cordeiro Alves
    Postado em 15/02/2012 às 22:20 | Permalink

    Concordo plenamente com o King Moby. Não se trata simplesmente de ficar contra o Gary ou contra a Marvel. Pensem o seguinte: eu sou o dono de uma editora e o escritor/desenhista “Fulano” tem um contrato comigo, sabendo que qualquer personagem que ele criar no tempo que trabalhar comigo pertence a mim. “Fulano”cria um personagem que se torna um grande sucesso. “Fulano” recebe seu salário corretamente, encerra-se o contrato e a vida segue. Anos depois, “Fulano” aparece como dono de uma empresa vendendo uma série de produtos (e não apenas um ou outro desenho para algum fã) do personagem que criou para mim, que pertence à minha editora. E não apenas isso, ele processa a minha editora dizendo que tinha o direito de ganhar dinheiro com o MEU personagem porque foi ele quem teve a idéia… e ele GANHA o processo!!!
    Acho que tal situação também geraria um precedente grave, pois se cada artista que usou suas idéias para criar personagens para as grandes editoras (e foi pago para tal) entrar com ações judiciais com base no referido precedente, as grandes editoras poderiam quebrar, não é mesmo?
    Voltando ao meu exemplo, vamos supor agora que eu ganhe a ação (como a Marvel ganhou). Bem, agora eu vou ingressar com uma ação contra o “Fulano”, pois ele não apenas ganhou dinheiro com o personagem que criou para mim, mas me deu um prejuízo com a demanda judicial. E, olha só, os fãs das hqs acham que sou um monstro sem alma…
    Quer dizer então que só por que a Marvel tem uma fortuna, a utilização indevida do personagem pode passar batida, não é errada?
    Do jeito que tão falando, parece que foi algo como “Marvel processa desenhista X por vender desenhos do Wolverine em ComicCon”.
    Não é por aí, galera.

  14. Daniel
    Postado em 15/02/2012 às 23:40 | Permalink

    Estou repensando sobre o que o King Moby disse e também avaliando o comentário do Cassiano Cordeiro Alves…

    Acho que tem muita coisa pra conhecer sobre esse caso ainda… Ambos falaram de pontos sobre os quais ainda não havia pensado bem… Vou repensar minha posição e pesquisar mais antes de voltar a falar sobre o assunto. Até mais.

  15. Postado em 16/02/2012 às 22:41 | Permalink
  16. Postado em 18/02/2012 às 14:58 | Permalink

    A quem possa interessar: o Jim Shooter (ex-editor chefe da Marvel) postou sua opinião:
    http://www.jimshooter.com/2012/02/spirit-of-vengeance.html

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