A variação de temática na jornada do Superman proposta por J. Michael Straczynski continua a render frutos na quarta parte da saga Solo. Diferentemente do que aconteceu nos Estados Unidos a Panini Comics preferiu focar-se diretamente nas histórias escritas por JMS, deixando os interlúdios (escritor por outros autores para tapar buracos) sem publicação no Brasil.
Ainda que os mais puristas reclamem da ausência destas edições, vale lembrar que nenhuma delas acrescenta valor direto à trama, servindo apenas como uma “curiosa expansão” do caminho principal da narrativa. Superman #704, de G. Willow Wilson (conhecida por seus trabalhos autorais e pela série Air da Vertigo) e Leandro Oliveira - além das cores do brasileiro Rod Reis, único da equipe original presente – mostra uma história de Lois Lane numa cidade fictícia chamada Rushmark. Lá a repórter reencontra o amigo Brian e ambos revisam suas vidas pessoais – apenas para que ela reencontre seu amor pelo Superman quando ele chega lá.
Seguindo para Superman #705 o leitor é levado a uma história mais significante e de sabor amargo – não pela narrativa, mas pelo tema difícil de engolir no mundo real: o Superman é obrigado a lidar com violência doméstica na cidade de Chicago.
Ficha Técnica (Publicada em):
Superman nº 109
Dezembro de 2011
Panini Comics
76 Páginas
R$ 6,50
Straza consegue escrever uma história coesa e com mensagem um pouco mais eficaz do que seus três capítulos anteriores de Solo, mas nem isso o salva mais da crítica merecida. Auxiliado pelo visual de Eddy Barrows, J.P. Mayer e Rod Reis (que aqui começa a ficar debilitado graças aos prazos mais apertados do desenhista brasileiro, resultando na ajuda de Geraldo Borges e Wellington Dias) o autor tenta mostrar a dura realidade de crianças e mães que apanham do homem da casa. O jovem protagonista é fã do herói e mal vê a hora de estar pertinho dele nas ruas de sua casa, mas as coisas não acontecem tão bem assim.
A história de fato se desenvolve bem e certamente toca os mais sensíveis ou os que passaram/assistiram situações como essa na vida real. Os maus tratos infantis e à mulher ainda são uma triste realidade na sociedade, independente do nível intelectual e financeiro do agressor e das vítimas – quem dera houvesse um Superman para salvar essas pessoas. O problema é que mais uma vez JMS deixa a desejar tratando com superficialidade um conceito seríssimo e que realmente colocaria o Superman no patamar que o autor prometera ao assumir o projeto.
O que salva a ideia é a arte dos brasileiros. O grupo trabalhou às pressas, mas mesmo assim conseguiu fazer expressões faciais e visuais que mostram a crueldade deixada de lado no texto. As cenas em que a mãe e o menino apanham, bem como o momento em que ele é salvo pelo Superman, são muito bonitas e valem a revista.
No fim das contas o herói dá sim um jeito na situação, mas tudo acontece rápido demais, sem conseguir deixar um ensinamento realmente valioso para o leitor. Nem a lição de moral apresentada na última página salva o que poderia ser um verdadeiro épico realista baseado em fatos cruéis da sociedade.
Depois de quatro capítulos JMS provou incapacidade em executar suas promessas, conseguindo apenas se auto promover durante algum período. Ainda que a história por si só não seja ruim, o que pesa é o que poderia (e deveria) ser, tanto pelo conceito apresentado como pelo que o autor prometeu durante tanto tempo.
Nota: 6
Links Recomendados:
- [Pé na Estrada com Superman, JMS e Barrows – Parte 1]
- [Pé na Estrada com Superman, JMS e Barrows – Parte 2]
- [Pé na Estrada com Superman, JMS e Barrows – Parte 3]
Superman foi o primeiro super-herói dos quadrinhos e hoje é considerado um símbolo da cultura americana. O herói foi criado em 1938 pelos judeus Joe Shuster e Jerry Siegel, mas tem uma origem messiânica e cristã: Kal-El, o último filho do moribundo planeta Krypton, foi enviado à Terra por seu pai Jor-El para ser o único sobrevivente de seu povo. Na Terra ele foi criado por um maravilhoso casal de fazendeiros, Jonathan e Martha Kent, recebendo o nome de Clark Kent. Hoje um repórter renomado no Planeta Diário, ele também age como Superman graças aos incríveis poderes que possui sob a radiação do sol amarelo. Inspirador, o Superman é o maior símbolo heroico da DC Comics, dentro e fora do universo fictício.
Tags: Eddy Barrows, Geraldo Borges, J.P. Mayer, JMS, Kevin Nowlan, Panini, Resenhas, Rod Reis, Superman, Wellington Dias





Só uma pergunta: Vocês pretendem fazer uma resenha parecida com o trabalho do JMS na Mulher Maravilha?
De volta ao tema em questão: é uma pena ver uma história com tanto potencial não ter rendido como poderia.
@Spider-Phoenix
Não, vou fazer um artigo só sobre ela detalhando tudo
Superman #705 foi, na minha opinião, a melhor história do arco Grounded. Mesmo com todos os defeitos e com os tropeços, mesmo com a arte corrida do Eddy Barrows (o que é uma pena, porque ler essa história feita com todo o capricho que ela poderia ter tido seria lindo) e mesmo com todos os pontos negativos citados.
Essa história me fez ver o que o JMS realmente pretendia com o arco, mesmo que ele tenha falhado nisso… É curioso que apenas essa e a #700 tenha me passado essa ideia.
O momento em que o Superman diz para o garoto: “Você precisa prometer que vai me ligar todos os dias, porque se houver um dia em que eu não tiver notícias suas…” e então ele olha feio para o pai abusivo e diz “vão haver consequências”. Isso foi fantástico! Sério!
Pena que tudo acabou com uma, na minha opinião, constrangedora página do Superman olhando para a quarta parede e dando uma liçãozinha de moral piegas… Não me entendam mal. Eu acho que esse tipo de coisa combina com o Superman como não combina com nenhum outro personagem… Mas foi muito precariamente executada.
Quanto às edições cortadas pela Panini para acelerar o reboot, eu só espero que eles não cometam a pachorra de cortar a história do Krypto… Dizem que foi uma das melhores revistas dos últimos anos e foi uma das poucas (pra não dizer a única) que eu vi receber nota 10/10 lá no CBR.
@Lib
Eu perguntei justamente isso pro editor, no site da Panini, e ele me respondeu que saí em maio (só não me pergunte como eles vão finalizar a saga do Apocalipse com o relaunch já em junho – há menos que saia mais um especial).
Oi Pessoal, essa foi uma parte dificil da historia, com o JMS doente, tudo atrasou e tudo acabou sendo feito as presas, mas o meu melhor trabalho no Superman ainda está por vir, as ultimas edições sao as minhas favoritas, tanto nos roteiros como na parte de arte =D
Abraços a todos
Eddy Barrows
Morcelli,era como estava dizendo na ultima resenha,so do escritor tentar ja vale muito