Graças à velocidade da internet o foco dos trending topics da indústria de quadrinhos muda numa velocidade impressionante. Mal as pessoas se acostumaram à ideia da publicação de Before Watchmen, os prequels da obra seminal de Alan Moore e Dave Gibbons, e agora um novo e muito mais polêmico tópico surge: o processo legal da Marvel contra Gary Friedrich pelos direitos do Motoqueiro Fantasma.
Tudo começou em 2007 quando o primeiro filme do personagem, estrelado por Nicholas Cage, foi lançado. Friedrich processou a Marvel e a Columbia Pictures reivindicando royalties pelos direitos do herói com uma alegação de que esses direitos lhe foram transferidos seis anos antes. No último mês de dezembro a corte estadunidense decidiu a favor da Marvel, baseada no fato de que Friedrich renunciou à propriedade duas vezes: a primeira quando fechou um acordo para continuar produzindo material como freelancer, e uma segunda vez transferindo todos os seus direitos de trabalhos anteriores em troca de mais possibilidades de agir como freelance (o que ele nunca recebeu, na verdade).
Logo em seguida a Marvel, num verdadeiro ato de vingança corporativa, lançou um processo contra Friedrich por fazer sketches e artes do Motoqueiro Fantasma em convenções, alegando que o autor comercializou material ilegal por anos a fio sem pagar um centavo para a editora. Ora, o autor nada mais faz que agir como todos os outros profissionais de indústria que aumentam sua renda fazendo este tipo de trabalho, afinal muitos deles são freelancers e nem sempre estão amarrados a um título periódico. Ainda que a prática seja, à risca, ilegal, nunca uma editora processou um artista por isso, já que esta é uma forma de divulgar os personagens gratuitamente para a editora a vários fãs pelo mundo que encomendam estas artes diretamente com o artista ou as compram nas convenções.
Como se tudo isso já não fosse suficiente a Marvel pediu 17 mil dólares por este processo, ao que a corte dos Estados Unidos concordou e acrescentou cláusulas que envolvem a proibição de fazer novos comissions e até do autor citar que foi o criador do personagem. Ainda que tenha chances de apelação, é muito difícil que Friedrich consiga reverter a situação – e não, ele não tem esse dinheiro. O mais curioso, e é exatamente isso que tem movimentado uma grande quantidade de fãs e profissionais da indústria contra a Marvel pela internet, é que este valor é irrisório para uma empresa parte de um conglomerado tão gigantesco quanto a Disney, dando ainda mais respaldo para o ar de “vingança” desta ação jurídica.
Felizmente, em meio a todo este turbilhão de notícias amargas, a comunidade virtual tem agido com bastante força contra a empresa, criando movimentações que vão desde boicotes ao filme e a algumas revistas da editora até uma assinatura de fãs oficializando uma carta ao ator Nicholas Cage, pedindo que ele pague este débito descabido. Mais do que isso, a indústria tem reagido muito negativamente à atitude da editora, colocando sua credibilidade em cheque quanto aos seus próprios profissionais – gente como Steve Niles (famoso escritor de HQs e roteiros de terror), Neil Gaiman, Jill Thompson, Steve Lieber, David Gallaher e muitos outros estão divulgando um fundo para ajudar Gary a enfrentar a Marvel de igual pra igual.
“Com 6 mil nós já garantimos um teto pra ele“, disse Niles ao CBR. “Então vamos tentar atingir pelo menos 7” concluiu o autor. As doações continuam a chegar diariamente, garantindo que há uma grande movimentação em favor de Gary. Nos fóruns e espaços para comentários dos sites de notícias os fãs estão desacreditados; ninguém consegue ver com um mínimo de bom grado o que a Marvel fez e sua imagem começa a se denegrir perante uma massiva quantidade de pessoas. O motivo disto é óbvio: com esta atitude, a Marvel criou um precedente legal para que as editoras processem qualquer autor por estes desenhos.
Como dito acima, os comissions são uma prática natural e enraizada na indústria. Este tipo de precedente pode colocar simplesmente todos os profissionais da indústria em uma situação de perigo e matar uma das mais interativas práticas do mercado: além de cortar uma renda interessante para muitos criadores este processo também elimina muito do contato dos fãs com os criadores, “corporatizando” ainda mais uma forma de arte apreciada por milhares de pessoas. Já imaginou um mercado em que comissions se tornem proibidos? Quanto da liberdade criativa (e de muitos devianArts que revelam novos talentos diariamente) seria arrancada? As consequências são incalculáveis.
Gary está muito feliz com a receptividade das coisas. Com 69 anos de idade, o autor não esperava que a internet se voltaria toda a seu favor e tem abençoado todos que lhe ajudam com palavras ou um pouco de dinheiro para o fundo criado por Niles. Em uma mensagem oficial Gary divulgou seu email pessoal para conversar com fãs.
Portanto qualquer pessoa que queira passar uma mensagem a Gary ou fazer uma doação pode contatá-lo através do email fgroovygary@aol.com e acessar o Paypal através do botão “Donate” no link http://www.steveniles.com/gary.html. O Multiverso DC já fez sua doação e convida todos que tiverem condição de ajudarem com qualquer valor que seja a fazerem o mesmo.
Tags: Gary Friedrich, Marvel, Motoqueiro Fantasma




É cada contrato absurdo firmado entre empresa/empregado que dá brexa pra esse tipo de coisa. Quando dá alguma merda dessa o artista não tem a mínima chance de se defender.
Não gosto de comentar muito esse tipo de briga porque só as partes sabem realmente o que se passou, o que está no contrato, como foram as conversar e tal. Mas deveria haver algum tipo de legislação específica de copyright para os criadores, porque senão eles vão continuar tomando no cu.
Só sei dessa história através dos blogs de quadrinhos, então sei lá, se o cara foi um bosta tem mais é que se foder mesmo. Se a Marvel tá errada e sacaneou o artista, também tem que pagar.
Faça-se a justiça!
=)
Caçarola, baita bola fora da Marvel dessa vez. E resolvem aprontar isso logo no ano em que lançarão 3 filmes. É pedir para se queimar.
Lembro de ter lido uma entrevista com um artista brasileiro falando que isso era normal na indústria e que as editoras não se importavam. E um movimento desses, com certeza, pode prejudicar muito os fãs, os criadores e até a indústria.
Mas o pior disso é ver uma empresa séria e de grandíssimo porte se manchando por causa de uma revanche tola.
Todos tem o direito de lutar por aquilo que acreditam ser seu, mas esse tipo de vingança mesquinha não pode ser admitida.
O cara deve ser analfabeto,para assinar um contrato desses…
Ui! A Marvel dando uma de escrota?! Porque será que eu não estou surpreso com isso?!
cara, por isso eu não gosto da Marvel, tudo se trata de esmagar os menores, não digo que na DC não exista isso, mas na Marvel é sempre assim.
Putz! Veio! Depois dessa já não sei mais qual é a empresa que é mais filha-da-puta, a Warner/DC ou a Disney/MARVEL!
As duas empresas são um lixo!
Lamentável e detestável, isso é algo além do absurdo.
A Marvel é reincidente em tratar mal artistas, vide o caso Kirby.
Na verdade ela esta fazendo isso preventivamente: espanta qualquer um que pense em fazer isso novamente.
Só podia ser Marvel bando de cuzões fdps… com grandes personagens a editora se rebaixa a este nível, por isso torço pra Dc evoluir mais e mais, e ja evoluiu pois etsa dando o tratamento adequado a seus personagens principalmente ao seu maior BATMAN!!!
Acima de tudo um absurdo, a decadência da nossa sociedade que valoriza o “valor” e não “valores”. O comportamento agressivo que a MARVEL possui somasse agora um mau caratismo, aproveitamento e falta de escrúpulos.
MARVEL se superando no quesito “mercenária e fdp” de novo.
Bom, mais um motivo pra que eu não perca meu tempo assistindo Motoqueiro Fantasma no cinema…
Uma pena toda esta história, até porque admiro a personagem…
O Jurídico da Marvel agiu de forma correta, ou seja, em benefício do seu cliente. Quem vacilou nesta história toda foi a diretoria da editora ao não prever o retorno negativo de seu êxito processual nesta demanda, principalmente a importância do precedente gerado pela decisão judicial perante a indústria e os fãs de hqs. E NÃO vou deixar de ver o filme do Motoqueiro Fantasma por causa deste episódio, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa…
Jurídico de nenhuma pessoa seja ela física ou jurídica em qualquer parte do mundo gera demanda processual sem que antes seu cliente seja comunicado.
Por isto foi uma decisão pensada exclusivamente pela gerência da Casa das Idéias (não resisti ao trocadilho)! E neste caso muito mal pensada! Sem dúvida alguma foi um tiro no pé!
Inclusive há que se duvidar do mérito de tal ação, tendo em vista que os comissions, como bem descrito no texto acima são prática comum e até de certa forma embrionário no meio da indústria!
Não há dúvidas que um grupo ou muito provavelmente algum sindicato (caso exista nos U.S.A.) pode ajudar a derrubar as decisões descabidas, embora para isto precise-se de “força de vontade” em querer ajudar!
Inclusive esta força motora capaz de modificar muitas decisões erradas neste meio tem como base os fãs ( e digo isso como fãs em geral)!
Se um movimento fosse grande o bastante, rapidamente esta condição seria revista! Sem dúvidas!
Fico me perguntando como uma equipe de relações públicas de uma empresa do porte da Marvel deixa com que coisas descabidas como esta aconteçam… É óbvio que ninguém concordaria com tamanha mesquinheza da editora.
Acho até graça de certas pessoas acharem que esse comportamento predatório e escroto é privilégio da Casa Das Idéias (Roubadas). Pros Decenetes mais raivosos, recomendo que releiam, aqui mesmo no Multiverso DC, artigos relacionados à Watchmen e Alan Moore, só pra começar.
Corporações não são seres humanos, e portanto, não precisam se comportar como tais, ora! Cresçam, e conformem-se, e saibam que há alternativa: PAREM de seguir qualquer bosta que essas duas publicam, mesmo porque o que não falta é HQ, nesse mundo (menos no Brasil!)! Não há somente super-heróis nesse mundinho de gibis que tanto amamos, idiotas!