Resenha Definitiva: Batman e Robin de Morrison – O Fim


Postado em 26/01/2012, por Morcelli
Em: Destaque , Matérias , Review


A saga de Grant Morrison com Batman e Robin chegou ao fim. O Multiverso DC estava devendo esta resenha desde o ano passado, mas fica feliz em trazer este derradeiro texto sobre os 16 números da já clássica inovadora fase do autor. Durante um ano e meio e com vários artistas premiados ao seu lado, Morrison contou a odisseia dos novos Batman (Dick Grayson) e Robin (Damian Wayne), apresentando conceitos revigorados por um mitologia atualizada e moderna, a qual acabou deixando muita saudade quando chegou ao fim.

Nesta última cartada, o autor literalmente tira um ás da manga colocando Bruce Wayne como um deus pagão encarnado no corpo de uma figura assustadora e causadora de muitas superstições, derrubando todo o plano do Dr. Hurt como dominós – afinal, tinham que ser dominós. É a partir deste ponto que se enxerga a capacidade criativa do autor ser expandida pelas qualificações de seus personagens: ao lidar com dois Batmen de uma única vez, as diferenças psicológicas e conceituais de cada um ficam explícitas, fazendo com que cada leitor passe a escolher seu Batman favorito.

Outro detalhe importante para a resolução da trama foi a colocação do Coringa, novamente, como um arauto do caos e carregado de interesses próprios, os quais resumem-se a deixar o Batman vivo para que ele possa continuar atazanando o vigilante mascarado. Sendo assim, obviamente ele se juntaria à sua heroica contra parte para que Hurt fosse derrubado – literalmente, como veremos a seguir.

Pra fechar, vale dizer que Morrison (novamente acompanhado pelos grandes talentos de Frazer Irving para cenas mais sombrias e conceituais, e Cameron Stewart para a ação) consegue fechar absolutamente todos os pontos de sua história. Sem nenhum nó a ser desfeito no futuro, o autor cria um gancho mindblowing para uma futura série, mas sobre ela falaremos num outro momento.

ANOTAÇÕES E REFERÊNCIAS (numeração americana)

1-4-As primeiras páginas da história são referências diretas ao que foi feito por Peter Milligan em Cavaleiro das Trevas, Cidade das Trevas, conforme comentado aqui anteriomente. Aqui vemos Barbatos e seus joguetes no pacto com Thomas Wayne (o antigo, que se viveu até então e passou a se chamar Dr. Hurt).

6-Todo o aspecto da ligação entre Simon Hurt, a mitologia dos demônios e sua ligação estreitíssima com Darkseid e o saber pode ser ouvido no ComicPod sobre O Retorno de Bruce Wayne.

7-Vejam que curioso. O veneno da história é originado dos morcegos. Esta página implica que o sacrifício para Barbatos foi sim finalizado, já que Hurt afirma estar se banhando deste sangue. Como também ficou implícita outra identidade de Hurt (ninguém menos que Jack, o Estripador), é justo izer que Hurt ficou todos esses anos vivos fazendo sacrifícios humanos para Barbatos – e, sem saber, para Darkseid.

12-Se alguém ainda duvidava da capacidade heroica de Damian, esta página é a resposta.

14-Hurt, como já foi dito em outras resenhas, é o Thomas Wayne do passado. “O buraco nas coisas”, como ele disse em Batman – Descanse em Paz, ou seja, o quadro que faltava na galeria dos patriarcas Wayne.

19-Os diálogos do “Palhaço à Meia-Noite” estão de volta, mas com papeis invertidos para brincar com a ironia da situação.

20-”Napoleão do Celeiro” é uma mistura de Napoleão Bonaparte e do porco Napoleão da obra A Revolução dos Bichos, um dos clássicos de George Orwell.

26-E tudo cai – como se cai ao escorregar numa casca de banana!

27-Descobrimos, enfim, porque “Simon” Hurt. Simon, ou Simão, é um personagem bíblico que tenta negociar milagres e outras religiosidades com o apóstolo Pedro. Ao fazer isso, Simão é condenado por transformar em negócios e ganância coisas que pertencem à fé como algo transcendental, e não material. A chamada “simonia” foi muito criticada pela Reforma Protestante, já que ela tornou-se prática da Igreja Católica em tempos medievais (vendendo absolvições, terrenos no Céu etc). Hurt, obviamente, tentou negociar com um deus/demônio, e no momento certo pagou caro pela proposta indecente. Morrison, ainda que não acredite no Deus monoteísta, sempre foi um fanático por qualquer religiosidade existente no mundo, e faz questão de referenciá-las em suas obras.

Bob Kane criou o Batman em 1939, herói que é o mais popular da DC Comics há décadas. Bruce Wayne virou órfão ainda criança com assassinato de seus pais pelo ladrão Joe Chill, o que mudou sua vida pra sempre. Tendo tornado-se o elemento mais sinistro e calculista do Universo DC, seu capuz hoje está em posse de seu primeiro e principal pupilo, Dick Grayson. O herói marcou pra sempre o universo de quadrinhos e literário com obras clássicas como Ano Um, Cavaleiro das Trevas, Asilo Arkham e A Piada Mortal. Ainda hoje seus títulos estão entre os mais lucrativos da DC Comics, bem como sua franquia animada e cinematográfica.


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Comentários

  1. Eduardo Diniz diz:

    Fala, Morcelli! Falando do New 52, você que entende muito do Batman, não acha que já estão começando a cagar com ele logo na edição 4… Os caras ficam enchendo o passado do Bruce de retcons, adicionando um “enfudecimento” por demais prematuro, aquela história absurda dos corujas com aqueles esconderijos, a prepotência do Batman com seu ceticismo mesmo com as coisas acontecendo diretamente a ele. E aquele finalzinho mixuruca… Queria saber outra opinião ou se eu é que to ficando chatão… kkkkk… Parabéns mais uma vez pelo site.

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