“Não sei falar #0$$@ nenhuma sobre o Islamismo. Não sei nada sobre isso. Mas posso falar que sei muito sobre a #$%!@ da Al-Qaeda e quero que todos eles queimem no inferno” – Frank Miller, 2011.
O passado
Citações contra a Al-Qaeda e sobre os atentados de 11 de setembro viraram rotina para Frank Miller, escritor e desenhista de quadrinhos, diretor e roteirista de cinema, dentre outros afazeres. Parece engraçado apresentar quem Miller é, mas o tempo é traiçoeiro, e por vezes faz com que o vigário seja, novamente, ensinado a rezar. Cercado por uma movimentação política armamentista graças à presidência de Ronald Reagan nos anos 1980, e vindo, poucos anos antes, de uma descrença moral coletiva com a queda de Richard Nixon, Miller tornou-se um crítico ativista em suas histórias. Considerado um revolucionário da mídia por suas posições críticas à direita armada que presidia seu próprio país, Miller ainda teve a capacidade de utilizar sua influência de Will Eisner para criar obras seminais e rompedoras de barreiras – que sejam nomeadas, mais uma vez, Batman: Cavaleiro Das Trevas, Batman: Ano Um, Demolidor: A Queda de Murdock, Ronin e outras.
O produto que era cultuado entre poucos fãs passou a ganhar notoriedade literária, sendo premiado, adaptado, venerado, reimpresso e revendido até os dias atuais, colocando ainda os profissionais responsáveis por esta quebra de tabus em evidência dentro do mundo pop. Nomes como Alan Moore, Neil Gaiman, Grant Morrison, Dave McKean e, claro, o próprio Miller, viraram referência de criatividade. Tornaram-se ídolos reais, passando diretamente para a década seguinte (anos 1990) como criadores estáveis e apontados como geniais. Foi nesta época que Miller apresentou 300 de Esparta (1998, Dark Horse).
Apesar da empolgação causada pelo lançamento (e, anos depois, pela adaptação cinematográfica dirigida por Zack Snyder), aos poucos tornou-se claro que a licença poética tomada pelo autor foi muito maior que a pesquisa feita por ele sobre a Batalha de Termópilas. Os espartanos eram defensores da “democracia e da liberdade”, algo que nunca foram de fato. Concomitantemente, os persas eram vilões ardis, dominadores e destruidores de culturas– o que não é verdade, já que os persas anexam as culturas conquistadas à sua e deixava que todos vivessem (que ironia) em liberdade. Frank Miller estava mudando, provavelmente movido pela política externa amigável do democrata Bill Clinton [Nota: ex-presidente americano desde o ano 2000, e ainda hoje um dos mais bem aceitos pela sociedade do Estados Unidos, mesmo com a polêmica envolvendo uma estagiária da Casa Branca]. Já não criticava mais seus país, já não fazia obras seminais e rompedoras de quaisquer barreiras existentes nos quadrinhos.
Uma nova década (século e milênio também) viria, marcada pelo maior atentato terrorista da história: o 11 de setembro, cravado na história como o dia em que os extremistas árabes atacaram os maiores símbolos do capitalismo imperialista americano. Miller ficou chocado, virou criança de novo e começou a crescer como uma outra pessoa – um vingativo. A proposta reacionária dele começou a tomar forma e, em 2006, “Holy Terror, Batman!” foi anunciada. Nela, o Batman “chutaria a bunda da Al-Qaeda”, como o próprio Miller definiu.
Ao final da última década, o artista avançou com a história conforme pôde, sempre citando-a como um conto propagandista. “Durante a Segunda Guerra Mundial, o Capitão América e o Superman socavam a cara de Hitler. Dentre outras coisas, é pra isso que estes heróis existem”, foi uma das frases recorrentes do autor em suas entrevistas. Em 2010 o projeto foi abandonado pela DC, fazendo com que Miller transformasse o Batman no herói The Fixer, e a editora que o publicaria seria a novata Legendary Comics (fundada em 2004), graças à ajuda de Bob Shreck, ex-editor da DC e contratado por esta nova empresa. Holy Terror, como agora era chamada, estava quase pronta.
Ficha Técnica
Holy Terror
Legendary Comics
122 Páginas
2011
O presente e a História
Depois de dezenas de entrevistas em que citara a Al-Qaeda como o maior mal do mundo, em 28 de setembro de 2011 (17 dias após o aniversário de dez anos dos atentados) Miller lança sua obra no mercado. Havia uma grande esperança de que o escritor não fosse tomado pelo sentimento vingativo, tornando seu trabalho a externalização de uma enegrecida e nacionalmente traumatizada alma. Infelizmente, o resultado final é muito pior que isso. Holy Terror é vulgar e ofensivo, não somente à uma cultura que ele admitiu não conhecer, mas também aos esperançosos leitores que adquiriram o material.
Resumindo todos os islâmicos a conspiratórios assassinos e religiosos malucos, Miller foi contra o que ele mesmo afirmara sobre a indústria em 2005: “As pessoas estão tentando trazer a realidade para o mundo dos super heróis e isso é completamente estúpido. Eles funcionam melhor como as fantasias que são. Veja, são grandes personagens (…) Eu quero ver o Superman voar”. Sendo assim, ele criou um produto calcado na realidade deturpada do FBI (e outras agências de segurança dos Estados Unidos) dias após os atentados, quando qualquer pessoa do Oriente Médio ou de religião não cristã era tida como uma ameaça. Seu personagem, The Fixer, é um Batman mequetrefe, assim como sua vilã/ajudante é uma Mulher-Gato mequetrefe, sem qualquer profundidade ou empatia. Eles assistem de perto as bombas jogadas na Empire City (nome bem sugestivo para não usar Nova York) e ligam o “modo guerra” sem maiores explicações. Ao invés de derrubarem as Torres Gêmeas, os terroristas desta história derrubam o equivalente à Estátua da Liberdade.
Fixer usa métodos desumanos contra todo e qualquer árabe que encontra, chama um capturado de Mohammed (como se fosse um nome genérico para todos eles) e ainda o ilustra como submisso sexual. Aliás, Miller não consegue conter seu desejo por prostitutas, e mais uma vez coloca uma (gratuitamente) na história. Não bastasse todas estas tragédias deturpadas, a maior delas é ver Miller reduzir-se a um mal explorador das nuances humanas, ou seja, o contrário do que sempre foi em seus trabalhos.
Ingênuo e sem qualquer visão política refinada, Miller cai em sua própria armadilha, vingando-se de um inimigo tão caricato que não existe. Ao mostrar rostos muçulmanos, o escritor faz caricaturas de típicos rostos comuns daquela região como se fossem todos grandes bandidos assassinos. Se sua mensagem propagandista tinha o desejo de acender os corações patrióticos de seus fãs e leitores, ele falhou miseravelmente, conseguindo até tirar sarro (com muito humor negro) de um evento trágico na história da humanidade. E como se tudo isso não bastasse, o autor mostra um Batman (no fundo Fixer nunca deixou de ser o Batman) ainda mais destroçado e errante que o mostrado em Cavaleiro das Trevas 2. A arma de guerra é falha, miserável e pobre.
Só resta aos fãs rirem da incompetência cerebral de Miller. O crítico político sumiu, dando lugar a um propagandista movido por um sentimento revanchista cego, tão extremo quanto os daqueles criticado por ele. Miller se acabou, cuspiu em toda sua obra anterior e escarrou um produto de mal gosto, asqueroso e escroto como sua personalidade veio a se tornar.
Tags: Batman, Bob Shreck, Frank Miller, Legendary Comics








Discordo completamente disso. Ele sempre teve uma visão política limitada, ou seja, ele não mudou nada (e talvez seja exatamente esse o problema). A diferença é que A) nos anos 80 isso era considerado cool e b) Ele não despirocava tanto porque estava em início de carreira, agora que ele acha que ele tem moral dentro da indústria, ele aproveita para divulgar as posições que ele sempre teve e que sempre estiveram presentes no trabalho dele, embora antigamente de forma mais tímida.
Ah ótimo texto, btw!
História do Frank Miller? Eu passo…
Honestamente eu nunca entendi essa forma como ele foi cultuado. Suas obras, mesmo as mais clássicas, nunca me atraíram. Na minha opinião, ele sempre foi um autor misógino de visões extremistas.
Parabens pelo texto. Sempre fui fã do Miller, desde o Demolidor de Super Aventuras Marvel, passando pelo Cavaleiro das Trevas, Ano Um e até a inovação visual nos mercado dos EUA, Sin City. Ele não revolucionou nada, como fizeram os escritores ingleses, mas era competente e tinha algo a dizer.
Miller envelheceu e mau. Ao invés de sabedoria, senilidade. Estagnou e regrediu. Isso se reflete tanto nas historias quanto no traço. Aliás, o traço é um otimo reflexo da decadência criativa dele.
Miller chegou ao ponto final de um artista: ele não tem mais nada a dizer
Vou deixar claro que não estou falando do que é certo ou errado, e não sou um republicano reacionário genérico.
Frank Miller é o meu autor favorito, estando muito à frente de Neil Gaiman e Grant Morrison. Ele fez muita coisa ruim, e eu não preciso inventar desculpas pra falar mal do lixo chamado Holy Terror. Eu acho o Alan Moore um velho maluco que fala merda de tempos em tempos, mas que fez coisas como Watchmen e Monstro do Pântano.
Ambos tem posturas político-sociais opostas, e muito diferente das minhas. Eu vejo tantas pessoas ao meu redor falando coisas tão piores do que essa, seja direcionado pra qualquer minoria (ou maioria) que nada mais me deixa chocado. A diferença é que o Frank Miller falou isso pro mundo, e não para um amigo.
A algum tempo atrás eu achava que meus ídolos deveriam ser e pensar como eu, e todos são diferentes em algum ponto. Acho lamentável o que o Frank Miller disse, mas fico espantado pelo choque que causou.
=)
@Gabriel Fontes
Cara, eu sei que isso é questão de gosto pessoal, e nem tenho a menor pretensão de mudar o seu. Até porque nós bem sabemos que isso nunca dá em nada.
Concordo, em grande parte, com sua opinião sobre o Moore. Como autor ele é um gênio… E eu considero isso algo inquestionável. Mas ele é um poeta quando fica calado! UAHSUahs
Agora…
O Neil Gaiman é meu autor favorito… E ouvir você dizer que o Miller está muito à frente dele é quase uma blasfêmia. UAHSUahsuS
Acho que comentar se o trabalho do cara é bom ou não, faz parte, mas analizar o viés político do cara é uma tremenda babaquice.
Pelos comentários que vejo por aí, parece que o cara só consegue produzir um trabalho cool se sua visão for esquerdo/marxista.
O Autor do texto acima fala bem de trabalhos anteriores de Miller que também careciam “de uma visão política refinada”, mas aparentemente os julga bons porque o viés era de esquerda. Estranho.
@Lib
Haha, Neil Gaiman é gênio. Miller está a frente dele na minha escala, não em qualidade. Alan Moore e o próprio Gaiman tem obras muito mais importantes e bem escritas, mas meu gosto sempre pendeu pro lado do tio Frank.
=)
Quando entra politica no meio a coisa esquenta. Nem julgo Miller em termos de direita e esquerda, pois ambos tem pontos criticos mas, a declaração dele jogando todos os muçulmanos no mesmo saco foi algo que não esperaria de alguem que demonstrou inteligencia nas suas obras.
Reduzir a religião pura e simples é total ignorância de como funciona as lutas pelo poder no mundo. A história mostra que cristão matou (e mata) cristão a rodo. Mostra que o Islã tem divergencias internas tanto quando seguimentos cristãos (catolicos, protestantes, pentecostais etc). Ela tambem mostra que religião é usada como forma de mobilização em prol de guerras por territorios, petroleo, etc.
Enfim, esperava mais dele do que esse reducionismo infeliz.
Ótima resenha!
Agora, eu concordo com o @Algures nessa, acho que o velho Frank sempre teve essa posição política extrema e limitada e com o tempo seu ego foi se tornando maior que sua capacidade fazendo com que hoje ele preocupe-se mais em “causar” do que criar. Não que ter sua visão política seja um grande problema, mas antes sua preocupação era contar boas histórias, seu posicionamento político era apenas parte do que faziam seu trabalho interessante. Acredito que isso começou ainda em Sin City, claro, inegavelmente foi um trabalho inovador artisticamente falando, com um argumento vigoroso e chocante, mas que com o tempo tornou-se repetitivo e enfadonho, estendendo-se a todos seus trabalhos posteriores, All Star Batman e Robin, Holy Terror, DK2, etc…
Excelente resenha. Sinto pelo Miller, afinal tive uma boa impressão do pouco que eu li do trabalho “clássico” dele.
Caras.. eu sempre gostei muito mesmo do Miller e a forma como ele trabalha que a sociedade se apresenta doente.
Pra mim, o Miller contraiu a doença da sociedade que ele criticava e assumiu o papel que sempre criticou do americano “futil e desinformado”.
O “Fixer” seria um grande vilão pro Batman do “Cavaleiro das Trevas”.
Dessa forma, Miller acertou errando ao dar, talvez sem notar, um soco na boca do seu próprio estômago.
Uma pena!
E concordo com tudo que o Algures falou…
Pra mim Miller sempre foi super valorizado, Cavaleiros das Trevas por exemplo e uma hq que pra mim não tem nada demais, e apenas o começo do massaveio…
Esse texto é o contrário do Holy Terror! Está excelente!
Otima resenha.
Estes dias Alan Moore teceu alguns comentários de Frank Miller contra o Ocuppy Wall Street. Moore classifica trabalhos como Sin City como misógino e 300 como “equivocado e homofóbico”. E pela primeira vez em muito tempo aplaudo uma ranzinzisse do barbudão. Simples, direta e extremamente lúcida, vale à pena dar uma olhada no texto na íntegra. Na minha opinião, creio que seus trabalhos com o Demolidor e Batman sejam realmente geniais… O Cavaleiro das Trevas é uma obra de um vigor impressionante até hoje. No entanto, quando o vigor da juventude criativa se esvai, para se manter, deve existir um mínimo de sensibilidade. Coisa que Miller nunca teve. Pode-se impressionar um público leitor com todo tipo e sorte de violências, crueldade, aridez, psicopatia e misoginia por um tempo por um tempo…mas não o tempo todo. E quando um criador que amadurece cronológica mas não artisticamente não é capaz de seduzir um público que também amadureceu, o que sobra? A caricatura de si mesmo. Holy Terror nada mais é do que essa piada pronta que todos aguardavam. Para mim seu grande fracasso chama-se BATMAN & ROBIN, O MENINO PRODÍGIO, da série All Star. Uma série lamentavel, inacabada, repleta dos vícios doentios que Miller repete a 20 anos. Enquanto Grant Morrison criava seu clássico com Superman, Miller arrastava sua carcaça insensata. Ele que fora alardeado como um dos pilares da série inovadora. Para mim não poderia existir derrocada maior.
@Algures
Cara, essa é uma teoria que eu vim trabalhando a um tempo, de que o Miller sempre foi o idiota que ele é hoje, só que antes eles moderava nas coisas. Tipo, se nos pegarmos o Batman dele(mais focado em TDKR), veremos que não tem grandes diferenças com TDKSA, é o mesmo jeito fanfarrão. Sendo que em TDKR, pelo Miller se limitar e moderar o argumento, ele conseguiu criar algo até legal, um clássico.
Agora que ele virou estrelinha, ninguem segura ele e ele faz a bagunça que quizer, a visão política dele ficou ultrapassada, ele parou no tempo e virou uma caricatura de si mesmo.
Eu até ia colocar o meu comentário para explicar melhor a situação para o povo, mas como até já apareceu MDM aqui (e um MDM que esta abaixo do coxinha, DO COXINHA!!!!!!!), nem vou perder tempo.
Podem achar Moore ranzinza ou maluco, mas feliz ou infelizmente tudo que ele diz acaba sendo verdade, doa a q
doa a quem doer, mas Moore mantém a coerência no que fala e no que faz, diferente de Miller, que começou sua carreira colocando os protagonistas de suas histórias mais próximos das pessoas comuns.
A visão política de Miller pode não ter mudado com o tempo, mas o foco mudou sim. Ele trocou a visão de justiça do americano por visão de poder do americano.
“Mal vi os trabalhos de Frank Miller nos últimos 20 anos. Achei Sin City tão misógino e 300 de Esparta equivocado e homofóbico. Acho que o trabalho dele tem sido de uma sensibilidade bastante desagradável, há bastante tempo. Ouvi falar desses últimos desabafos sobre o movimento e é o que eu esperava dele. Sempre me pareceu que a maior parte da indústria de quadrinhos, politicamente, é de centro-direita. Acho que seria correto dizer que eu e Frank Miller temos visões opostas sobre todo o tipo de coisas e certamente sobre o movimento Ocuppy.”
O que Miller escreveu sobre o Ocuppy : http://frankmillerink.com/2011/11/anarchy
Babaca.
O texto acima é uma opinião de Alan Moore
Como anarcocapitalista não consigo simpatizar com Miller nem com Occupy Wall-Street.
Acho estranho que tão pouca gente concorde comigo.
Eu achei sua critica muito tendenciosa, suponho que voce seja um esquerdista revoltado com opinioes diferentes da sua. Mas é normal, voces tem a quem puxar.
Eu, de minha parte, sempre achei esses caras (Alan Moore, Gaiman, Miller) muito hypados pro meu gosto. Acho que esses caras, sem desmerecer suas histórias clássicas, que foram legais e criativas, ajudaram a acabar com o gênero de super heróis.
Antes nós tínhamos histórias inteligentes, criativas, com boa dosagem de dramas, tínhamos David Michelinie, Roger Stern, John Byrne, Marv Wolfman, Denny O’Neill, Chris Claremont, Walter Simonson. Eram histórias de super heróis que tinham lá sua polêmica e seu grau de ‘amadurecimento’, mas eram engenhosas, criativas, boas histórias.
Só que veio esse hype todo aí e o que sobrou? Me digam, quem sabe contar uma história em quadrinhos de super heróis com inteligência hoje? É sensacionalismo pra cá, é estupro pra lá, é herói que se fez em cima do parceiro pra outro lado, é herói brigando e se matando, é herói fazendo lobotomia em vilão, é herói como joguete de políticas de Estado (como se ninguém tomasse mais decisões por algo que acredita, só por oportunismo), etc. Queria saber que histórias nós daríamos para os nossos filhos lerem, que lhes mostrassem o que realmente eram esses super heróis para nós. Por que Cavaleiro das Trevas é pura distorção do Batman. Nem falo de Watchmen para não ficar chato.
Não temos uma história relevante de super heróis desde que John Byrne saiu da Marvel em 1992. Digo super heróis mesmo, não psicopatas superpoderosos e fantasiados. Não avançamos um milímetro desde o início da fase ruim da Marvel, e o que o Morrison fez com a Liga foi nada senão releitura de Era de Prata.
E digo mais coisas ainda. Fiz parte de um grupo de estudos do CNPq, cujo assunto era Arte e Política na década de sessenta, e a conclusão a que cheguei, por experiência própria, é que não se pode se dar muitos ouvidos a quem bota tudo na conta da política, porque acontece o mesmo que aconteceu com o Miller. O tempo passa, o mundo muda, seu discurso perde sentido e você perde relevância. Assim, quem vai ficar mesmo são os que ajudaram a melhorar o estilo em sua propriedade, não quem quis ‘denunciar ideologia’.
Olha, lendo Dark knight 2 ultimamente, percebi que ele não mudou. Ele sempre pensou e expressou certos pensamentos em suas obras. Mas tá gagá né gente… Fazer o quê? Ele deve estar dizendo “Me processa”…
Tava revendo isso e só discordo do ultimo paragrafo. Ele não deixou de ser o critico apra virar o criticado. Ele virou uma criança machucada pelo 11 de setembro. Pura e simples.