
Continuando a coleção de alto luxo que a Panini Comics está vendendo em bancas por um preço bem reduzido, foi lançado recentemente “Namor – As Profundezas”. Mas não torça o nariz para essa história por ser sobre o Namor, pois esse é o tipo de história que você nunca sonhou em ler sobre esse personagem. Roteirizada por Peter Milligan e magistralmente desenhada e pintada por Esad Ribic, ela possui um estilo de suspense/terror que a torna excelente. Mas vamos primeiro à sinopse:
Atlântida: mito ou realidade? Há séculos essa pergunta aguça a curiosidade e mexe com a imaginação de cientistas, exploradores e estudiosos de todo o mundo. Existirá mesmo uma fabulosa cidade submersa no fundo do oceano, aguardando apenas que alguém hábil, corajoso ou insano o suficiente a descubra? E o que dizer de seu enigmático guardião, Namor, o impetuoso Príncipe Submarino? Disposto a responder tais questões, um cientista e sua tripulação embarcam numa perigosa viagem rumo às profundezas submarinas, sem sequer imaginar que macabras surpresas as águas negras lhes reservam… Acompanhe esta claustrofóbica aventura concebida pelos talentos criativos do roteirista Peter Milligan (Skreemer) e do aclamado ilustrador Esad Ribic (Loki).
(Sub-Mariner: The Depths #1 a #5)
Edição especial, formato americano, 136 páginas, capa dura, papel couchê

Roteiro: Peter Milligan
Arte: Esad Ribic
Explorando um gênero pouco utilizado pelos heróis Marvel, o do suspense/terror, essa edição especial tira Namor do centro das atenções e o coloca como um mito, assim como a própria Atlântida. A história se passa no passado, provavelmente nos anos 1950, durante a Guerra Fria, mas muito antes do homem sequer pisar na Lua. Ela tenta o máximo possível simular o mundo real, onde seres superpoderosos não passam de lendas. Por isso mesmo, ela pertence ao selo Marvel Knights, estando fora da cronologia e sendo perfeita para quem quer ler uma boa história sem se preocupar em entender o universo.
Na trama, o capitão Marlowe dirige uma equipe de exploradores até uma das fossas mais profundas do oceano, em busca da cidade mitológica da Atlântida. Mas o submarino perde contato com a base em terra, e o último registro recebido é uma gravação em áudio que diz: “Marlowe, convés de observação, duzentas horas. Ainda nada além da escuridão. Eu… Espere… M-Meu Deus… Ah, meu Deus… Eu… Acho que vejo. É… É linda. Tão linda…” Será que Marlowe realmente encontrou a cidade perdida da Atlântida ou tudo o que teve foi uma alucinação antes da morte? Para desvendar esse mistério, o governo dos Estados Unidos contrata o Dr. Stein, o “grande desmistificador” de acordo com o New York Times. Ele é um cientista especializado em contestar mitos infundados do homem, sempre usando a ciência para provar a sua inexistência. Ele aceita o trabalho e inicia sua jornada junto com a tripulação do submarino Platão.
Um ponto interessante de se destacar na primeira parte da história é a apresentação dos personagens. O principal da série, o Dr. Stein, mostra seu caráter e personalidade claramente em sua primeira aparição, quando desmarcara em público o mito do Pé Grande. Só nessa cena já conseguimos saber quem ele é, sua motivação, e marcá-lo de uma maneira que ele não será confundido com outros personagens, uma coisa básica de roteiro que muitas histórias com personagens desconhecidos pecam, como é o caso de Os Perdedores, da Vertigo, por exemplo. Ainda conhecemos também toda a tripulação e a personalidade de cada um, embora não seja tão marcante quanto o Dr. Stein. Mas mesmo assim essa primeira parte não é maçante, servindo apenas para apresentar os personagens. Muito pelo contrário, ela já começa a dar o clima de suspense que irá permear toda a história e prende o leitor logo nas primeiras páginas.
“Aproveite bem, doutor. A coisa vai escurecer bastante. O mar parece lindo na superfície, mas no fundo dele tem um mundo todo diferente. Um mundo perigoso. O perigo… vem aqui de dentro. As profundezas fazem coisas estranhas com a cabeça de um homem. Quanto mais fundo se vai, mais criaturas se insinuam na escuridão. Não é crendice, já vi acontecer. Tem muito mais esperando pela gente lá embaixo além de peixes feios e cegos.”

Como avisado pelo piloto, quanto mais o submarino se afunda no mar, maiores e mais insuportáveis se tornam os boatos sobre as criaturas das profundezas, sobre a Atlântida e principalmente sobre Namor, o misterioso ser que assombra as mentes da tripulação. O Dr. Stein se opõe energicamente a tais baboseiras, tentando provar de várias formas que essas coisas não existem, inclusive colocando sua própria vida em risco. Mas tudo é em vão, pois a tripulação está muito apegada às suas crenças, e nenhum cientista cético irá conseguir convencê-los do contrário. Mas o Dr. Stein continua negando a existência desses mitos, mesmo quando se depara frente a frente com eles…
A partir da segunda parte a história aprofunda ainda mais o clima de suspense e começa a introduzir levemente o terror, que vai aumentando a cada parte. Esse clima é sem dúvida a melhor coisa da edição, um clima que eu não me lembro de ter visto alguma vez em histórias em quadrinhos. Apesar de não ter jogado, achei bem semelhante ao clima do jogo Dead Space pelo que ouvi falar através de algumas pessoas (quem tiver jogado e lido esta história poderá dizer melhor). Mas obviamente a maior inspiração do roteirista foi o livro Moby Dick, com o Dr. Stein fazendo o papel do capitão Ahab. Do mesmo modo como a baleia poucas vezes aparece no livro, assim é o Namor nessa história. São raras as suas aparições, mas sua presença permeia toda a obra. A diferença é que Ahab fazia de tudo para encontrar a baleia, enquanto o Dr. Stein tenta a todo custo provar que Namor não existe.

O que contribui de maneira decisiva para formar este clima é, sem sombra de dúvidas, a arte do croata Esad Ribic, que ficou famoso depois de desenhar a minissérie Loki. Seu enquadramento é perfeito, colocando as cenas de dentro do submarino geralmente em quadros estreitos e em ângulos fechados, aumentando ainda mais a sensação de confinamento e claustrofobia, enquanto todas as cenas do exterior do submarino são amplas e sangradas (sem bordas), exatamente para mostrar a imensidão do mar sobre a pequenez do homem e de seus veículos. O uso do preto e das sombras também é excelente, pois consegue passar a sensação desejada sem tornar o desenho escuro demais.
O roteiro de Peter Milligan me surpreendeu muito, pois a referência que eu tinha do sujeito era a fraca série da X-Force/X-Táticos e uma péssima fase dos X-Men que ele escreveu. Aqui ele mostrou que pode ser um excelente roteirista, criando situações interessantes, personagens aprofundados e bem desenvolvidos e bons mistérios. A ideia de colocar Namor como um ser mítico, gerando dúvidas sobre a sua existência e usando sua presença escondida esporadicamente para causar terror é genial.
A edição da Panini é excelente, com capa dura, verniz, papel couchê, todas as capas originais, notas explicativas ao final e biografia dos autores. E o melhor: por um preço mais barato do que muitas edições especiais de acabamento muito pior. Sem dúvida é uma edição que vale a pena para o leitor que gosta de boas histórias de suspense.
Nota: 10,0
Pra comprar:
Tags: Atlântida, Esad Ribic, namor, Panini, Peter Milligan, Príncipe Submarino, Sub-Mariner, suspense, terror

Comprei meio que torcendo o nariz, mas queria ter os 5 da coleção e então comprei… e não me arrependi…pela primeira vez fico empolgado com o namor,rs…muito legal!
Putz deu vontade agora, que merda que a loja de quadrinhos que tinha aqui fecho vo ter que caçar
Eita! Deu vontade de comprar
Realmente, a revista é sensacional. Gosto do personagem mas para mim a refencia é das antigas historias (republicações da ebal, etc). Namor sempre foi o tipo anti-heroi. Nunca se enquadrando no padrão. Mas a forma como Milligan o coloca ficou excepcional, pois você fica sempre se perguntando como o Namor vai aparecer. E as adaptações que ele faz aos poderes do principe submarino ficam coerentes com o meio em que vive. Dá vontande de saber cada vez mais como o autor vê o personagem e os cidadãos de Atlantida. Pena que Ribic não tirou aquelas ridiculas asinhas do tornozelo…
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