Multiverso DC Opina: Comissário Gordon sabe ou não a identidade do Batman?


Postado em 23/02/2010, por Morcelli
Em: Destaque , Editorial


Por Luis Alberto

Hoje vamos tocar num assunto que muitos fãs já devem ter se perguntado, e que aqui mesmo no Multiverso DC já falamos. O Comissário de Polícia de Gotham, James Gordon, é o tipo de cara bastante observador, que percebe longe quando algo está acontecendo, porém, na maioria das vezes se abstém de falar o que sabe. A questão é: será que o Comissário Gordon sabe que Bruce Wayne é o Batman?

Em “Batman: Ano Um”, de Frank Miller e David Mazzucchelli, podemos acompanhar as primeiras ações de Batman como vigilante. James Gordon, ainda um simples tenente, começa a especular quem poderia ser o tal Homem Morcego. O primeiro suspeito foi o assistente da promotoria Harvey Dent, mas apesar de ter os nomes dos criminosos, e o motivo para ser contra eles, Dent não poderia ser o vigilante, já que seu salário era muito baixo para custear os equipamentos necessários. É quando Sarah Essen, parceira (em muitos sentidos) de Jim, cita Bruce Wayne. Bilionário, órfão ainda muito jovem, desapareceu por anos. Poderia ele ser o homem por trás do manto do morcego? O próprio Gordon responde, refletindo sobre a primeira aparição pública do Batman: “…os pais de Wayne foram mortos por uma ladrão quando ele tinha seis anos. Acho que isso seria motivo suficiente pra levar um homem a se vestir como Drácula e caçar criminosos…”

Em “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight Returns), também de Frank Miller, visualizamos uma (possível) história muito posterior aos eventos de Ano Um, contudo, escrita antes do mesmo arco. Logo nas primeiras páginas da história, vemos um diálogo interessante entre o já aposentado Jim Gordon e o ex-vigilante Bruce Wayne:

“Você, com sua soda na mão, fingindo ser champanhe, enganava todo mundo… quer dizer, quase”. Nesse diálogo, o autor sugere que Gordon sempre soube que Bruce Wayne era o Batman. E é até compreensível o porquê dele se manter calado durante tanto tempo. O cara queria fazer justiça, mas vivia no meio de corruptos. Qualquer um que aparece, com alguma proposta de ajudá-lo a fazer a diferença, ele estaria disposto a aceitar. Como ele mesmo disse em Batman 672:

Voltando ao Ano Um, Gordon e Essen, surpreendem Batman em um certo instante da história. Jim e Sarah não hesitam em cercar o vigilante, por não estarem totalmente certos de suas intenções, mas ele escapa magistralmente. Com isso, Gordon começa a caçar o Batman e seu suposto alter-ego, Bruce Wayne. Numa visita a mansão Wayne, o tenente interroga Bruce Wayne em busca de respostas. Mesmo com todos os álibis e justificativas, Gordon não se convence. Ainda acha que Wayne está fingindo tudo. E como ele está certo…

No final da edição, publicada originalmente em Batman #407, o dano que Carmine Falcone, o romano, sofreu no bolso, se tornou pessoal. Então, o mafioso manda alguém seqüestrar o filho recém-nascido de Gordon. Bruce, deduzindo que isso iria acontecer, vai a paisana à casa do tenente, mas chega tarde. É baleado por Gordon, desesperado, que rouba sua moto e sai atrás dos seqüestradores. Nesse instante, percebemos que a única coisa que escondia a identidade de Bruce era o capacete para sua proteção. É claro que Wayne poderia estar com um disfarce por baixo, porém, o que parece é que o autor realmente quis mostrar que Bruce estava de cara limpa.

Enfim, tudo acaba bem. O bebê de Gordon é salvo e os bandidos se dão mal. Porém, olha como essa cena termina: “Sabe… Eu sou completamente cego sem os óculos. Estou ouvindo sirenes, melhor você ir”. Ele não só passa a confiar no Batman, como se torna seu “cúmplice”. Frank Miller deixa implícito que é nessa hora que Gordon realmente descobre que Bruce é o Batman, sem tirar o mérito do personagem pela capacidade de dedução. A partir desse instante, ele percebe que não precisa mais caçar o Batman, pois ele é uma força do bem, e quer o mesmo que ele: JUSTIÇA! E a desculpa dos óculos, provavelmente foi só para ele não se preocupar, um aviso do tipo: “não vou te dedurar, ok?”.

“O Homem que Ri” é uma história que acontece em seguida a Ano Um, cronologicamente falando. Nela, vemos a evolução do “relacionamento” entre Bruce e Gordon. Ed Brubaker, o roteirista, não faz muita menção do que Gordon possa saber sobre a identidade do morcego, porém deixa dicas muito interessantes: a primeira, quando Gordon pega o bilhete em sua mesa deixado pelo “faxineiro”, em que ele pensa: “O faxineiro… você está ficando bom nisso meu amigo”. A segunda, é quando Bruce está sob custódia da polícia, e um dos tiras convence ele a usar a máscara de gás. Bruce responde:

Vale ressaltar que em toda a história, todos os balões são escritos em letra maiúscula, com exceção dos pensamentos de Bruce e Gordon. Agora, veja no final o último diálogo entre Gordon e Batman:

“É, eu pensei que você diria algo assim”. Isso, porque era o mesmo “Hmmmm” de aprovação que Bruce usava em suas conversas. É claro que o autor colocou Bruce e Gordon separados, justamente para não gerar uma situação muito evidente, mas é como se esse som funcionasse para Brubaker, da mesma forma que o “Hh” do Morrison. Como Gordon já conhecia Wayne, provavelmente já deve tê-lo ouvido usar essa “expressão” algumas vezes. O mais curioso é que a impressão que se tem, é que o próprio Batman estaria realmente afirmando ser Bruce Wayne, como prova de sua amizade com o Capitão de Polícia, que em breve, seria promovido a Comissário. Em outras histórias de Brubaker sobre o Homem Morcego, podemos encontrar mais pontos que confirmem essa cumplicidade dos dois, mas vamos mudar um pouco de roteirista.

Como vimos em Batman #677, surgiram “provas” que os pais de Bruce mantinham um relacionamento, digamos, “liberal” demais para um casal respeitável. Sabendo disso, Gordon foi ao encontro de Bruce na mansão Wayne (oficialmente, para investigação), e lá encontra a Luva Negra, que havia dominado a casa. Porém, na edição seguinte, ele vê na mansão o telefone vermelho que era a linha direta do Batman com a polícia (um dos jeitos que ele próprio entrava em contato com o morcego, de modo mais discreto), encontra Damien vestido de Robin, Talia, dizendo que o garoto era o filho de Batman, e após isso, se reúne com os demais membros da Bat-família. Vocês acham que ele não sacou o que estava rolando ali? Ou realmente acreditaram que ele caiu naquele papinho do Robin, de que tudo não passava de uma conspiração empresarial para derrubar Bruce Wayne?

Pior, e agora um SPOILER para quem não acompanha as aventuras de Batman lá fora: em Batman and Robin #4, fica público que Damien é filho de Bruce Wayne. Não se sabe se isso foi só o garoto tirando vantagem ou se foi sério, já que a imagem pública dos Wayne estava meio manchada desde os eventos em R.I.P., mas para um homem inteligente como Gordon, bastaria a suspeita para perceber a ligação toda entre os Wayne e os morcegos de Gotham.

Enfim, a idéia que Jim Gordon sabe que Bruce Wayne é o Batman surgiu com uma possível brincadeira de Frank Miller, mas acabou ficando séria com o passar dos anos. Nem todos os escritores gostam do conceito, como nem todos gostam do Lex Luthor cientista, mas há aqueles que sabem aproveitar bem a deixa. Inclusive, Gordon não só sabe que Wayne é o Batman, como também deve saber que Bárbara era a Batgirl (como pode ser visto em Batgirl: Year One, de Chuck Dixon). Até porque se Gordon, como bom observador que é, não notasse que após sua filha ter perdido os movimentos da perna, a Batgirl sumiu, é melhor mesmo que ele se aposente de vez e dê o distintivo para outro…


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Comentários

  1. Hum…. Sei não, hein Luiz Alberto… Exceto pela história de R.I.P., você apresentou indícios muito fracos, uns até forçados na minha opinião (Hummmm….).
    Talvez em Cavaleiro das Trevas a gente tenha um indício considerável, ainda que retroativo: quanto tempo no futuro a história se passa? Se nela fica evidente que Gordon sabe que Wayne nunca foi o que demonstrava ser (“você tomava soda fingindo que era champanhe”), isso não quer dizer nem que ele saiba o que Wayne é de verdade e ainda deixa aberta uma pergunta importante: quando? Quando Gordon descobriu?

    Quanto à Batgirl também… Poxa, não acho que o chefe de polícia de Gotham seria tão narcisista a ponto de dizer: “Minha menina está incapacitada e a Batgirl sumiu. Era ela!”. Gotham é uma metrópole, quantas garotas poderiam ser a Batgirl? E mais importante, quanto tempo se passou entre o incidente de Bárbara Gordon e o advento de Cassandra Cain com o manto? Pra gente foi um tempão, mas o tempo nas HQ’s não corre no mesmo ritmo. Gordon tem a suspeita de sua sobrinha como Batgirl. Ele observa para testar a hipótese. Pouco depois a Batgirl ressurge, diferente, é verdade, mais reclusa, mas também mais técnica. Considerando que o contato entre o Comissário e a vigilante nunca foi tão “próximo” quanto com o Batman, dá mesmo pra afirmar que mudaram as pessoas? Ele teria subsídios suficientes para afirmar isso?

    Bem, pra mim nem todo mundo que usa distintivo é um Sherlock Holmes (mesmo porque ele nem usava). E assim como em Ano Um Wayne não convence Gordon de que não é o Batman, também seu texto não me convenceu…

  2. Brunão diz:

    @ Lucas “Poderoso Porco” Ed:

    Em DK Gordon SABIA sim. Não só as evidências da história mostram isso, como Frank Miller falou com todas as letras em uma porrada de entrevistas.

    quanto à continuidade oficial; eu concordo com o Luis Alberto, e até disse isso num podcast tempos atrás; mesmo se desconsiderarmos todas as outras histórias, apenas RIP já deixa claro o que acontece ali.

    Quanto à Babs como Batgirl, a continuidade TAMBÉM indica que Gordon saiba. Inclusive, numa das primeiras histórias da Caçadora helena Bertinelli, há um diálogo entre Batman e Gordon na linha de “ela também me lembra de Barbara, Jim”.

    Portanto, eu sou da opiniãoq ue Gordon sabe sim, ams nunca disse isso em voz alta; é muito mais “eficiente” que ninguém sequer desconfie da relação dos dois.

  3. @Brunão

    Calmaí, cabra. Acho que sequer você entendeu o meu comentário. Vamos aos fatos: é um post Multiverso DC Opina se fossem fatos claros, não caberia opinião, não é? Contra fatos não existem argumentos.
    Outro fato, em nenhum momento eu disse que Gordon sabe ou não da dupla Bruce/Batman. Do contrário, eu disse que “o texto do Luiz não me convenceu” (é a última linha do meu comentário), porque ele apresentou indícios frágeis! Só. No seu comentário, você por exemplo acrescentou dados muito mais significativos. Inclusive R.I.P., que eu já havia apontado como o fato mais concreto do texto do Luiz.
    É isso. Eu não tenho uma opinião se Gordon sabe ou não, nunca me dediquei a pensar nisso. Mas nenhuma das duas hipóteses me desagrada. Só.

  4. Brunão diz:

    Mas eu tô calmo. XD

    Assim, com evidências de que sabe ou não, eu sou da opinião que o Gordon é inteligente o suficiente pra sacar, só isso.

    No mais, é algo do que varia de autor pra autor…. Mas os autores que eu mais gosto costmam concordar comigo nesse caso. :P

  5. Rodrigo diz:

    tô com o Brunão e o Luiz nessa

  6. mauricio oliveira diz:

    Eu não tenho duvida o Gordon Sabe! Tem uma historia do Batman logo após ou durante a Terra de Ninguem em que o Batman quer revelar sua identidade e o Gordon recusa-se a encara-lo sem a mascara. Ora, partindo da hipótese de que Gordon é um detetive ele não olhou porque sabe a resposta. Eu penso que ele deduziu na época do Ano Um mas que ele achou irrelevante a confrontação pois ele CONFIA no Batman. E vem cá, quem não confiaria num sujeito que salvou seu filho? Eu que sou pai confiaria sem pestanejar. Na minha opinião o gordon acha que o Batman é o Batman e pronto e Bruce é apenas uma máscara. Tem outra aventura em o Gordon fala para ele das vezes em que teve que descumprir a lei para acoberta-lo. Resumindo ele SABE, mas para ele esta informação é irrelevante.

  7. Diogo diz:

    Bem,pós RIP ele realmente deve ter juntado todas as peças,mas o detalhes de Ano Um eu tinha me esquecido.Eu acho que ele sabe sim,mas mantem o bico fechado pro bem de todos.

  8. Luís Alberto diz:

    @Lucas: Bem, me desculpe se o texto ficou fraco. Nem sempre a gente acerta. =)

    Ao meu ver Gordon descobriu tdo no Ano Um mesmo. Eu não acho que ao longo dos anos o policial esqueceu desse encontro e da hipótese levantada na história. A questão é que como disse o Maurício, isso se tornou irrelevante pra ele, pois viu que o vigilante era confiável. Aliás, toda essa história de Gordon saber ou não a identidade do morcego já havia aparecido antes de Miller, mas foi ele que tornou a hipótese tangível e só depois disso, é que outros autores passaram a se manifestar (como Brubaker, Greg Rucka, Morrison e até Jeph Loeb).

    Sobre a Batgirl, até onde eu li, ele também já suspeitava de sua filha como vigilante. E isso é até aproveitado por Chuck Dixon em “Batgirl: Year One”. Se vcs ainda não leram e tiverem a oportunidade, façam pois é muito divertido. A história tem um quê de inocência, mas também não é tão bobinha quanto aparenta a arte de Marcos Matin. Como disse o Lucas, não é nada que seja concreto, mas o divertido é justamente ficar nessa eterna hipótese de se ou não. Até em alguns episódios da série animada de Bruce Timm, vemos que Gordon sabe, mas se mantém calado.

    Ah, e além da referência de Terra de Ninguém dada pelo Maurício, há também em Silêncio, de Jeph Loeb uma conversa entre o Super e o Morcego, em que ele evidencia que Jim Gordon é inteligente o suiciente para saber da identidade do Batman (e diz até que o mesmo pode ser aplicado a Perry White e o Superman!).

    E se não me engano, a história citada pelo Brunão, é Huntress: Cry for Blood, do talentosíssimo Greg Rucka, que na série “Turning Points” também apresenta leves pinceladas dessa hipótese.

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