14/10/2009

Postado por Morcelli em Destaque, Dossiê | 5 comentários

ZUR-EN-ARRH – Parte 04: “Se a dor é tudo que me resta, deve ser a dor que me sustenta”

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Por Luis Alberto

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Continuando a análise, voltemos ao Dr. Hurt. O psiquiatra usa então do artifício do “lugar feliz de Zur-En-Arrh”, criado pela própria mente de Bruce, para através da pronúncia desta frase, externar seu trauma, transformando-o em uma “criança indefesa”. Depois do experimento, Bruce percebe que algo estava diferente dentro de si, mas ainda não sabe o que é. Em Batman 674 novamente, vemos ele relembrar de fatos onde apresenta distúrbios de memória, que o levam a cogitar a possibilidade de largar o manto. Há uma frase do Bat-Mirim, onde ele diz:

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“Quem escondeu isso em sua cabeça?

Vamos lá, não fique conuso”.

Isso já é uma pista sobre o que está acontecendo com o Batman… Nessa hora fica explícito que toda a obsessão e paranóia crescentes no morcego, com o passar dos anos, não foi meramente efeito da dor e da perda de amigos e aliados, mas também por conta da frase gatilho incutida pelo Dr. Hurt. É como se a hipnose feita pelo psiquiatra servisse de catalisador para piorar o estado psíquico do Batman a cada novo trauma que surgisse, lhe influenciando ao ponto dele se tornar o que se tornou: paranóico, obsessivo, inseguro. Até porque, foram muitas coisas, lembram? A morte de Jason, o ataque do Coringa à Bárbara, o aleijamento por Bane, Azrael sujando seu nome, o Terremoto que tornou Gotham City Terra de Ninguém, a ressureisção de Jason e sua conversão em vilão, a morte de Jack Drake, a perda da confiança em seus amigos (que o levou a criar o irmão olho)… Percebam que o Batman da Era Moderna, de tão paranóico, praticamente desistiu de acreditar nas pessoas e até em si mesmo, e se assim é, o que o motivaria a lutar? Por quem lutaria, se o mundo é tão podre? Ele estava perdendo o rumo. E Morrison sabia como resgatá-lo.

Fazendo um paradoxo, vamos refletir sobre as motivações do Batman. Por anos e anos, a sua força motivacional era vingar a morte dos seus pais através da imposição da justiça (que de tão imparcial chega a ser louca – Leia “Coringa-Advogado do Diabo”, da Abril, para entender melhor). “Nunca esquecer” era o seu lema. Percebem? Bruce nunca se deu o direito de esquecer ou superar a morte dos pais, pois de alguma maneira, ele acreditava que era isso que o motivava, e caso esquecesse ou deixasse a dor diminuir, estaria deixando seus pais de lado. Isso pode inclusive ter sido proporcionado por Zur-En-Arrh, de acordo com a análise que estamos fazendo!

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Em “Batman: Death and the Maidens” (pub. No Brasil em Batman 22-29, pela Panini), vemos um trecho em que Bruce experimenta uma droga (olha elas aí de novo) ofertada por Ra’s Al Ghul e é levado a um estado de transe, que o leva a refletir sobre suas motivações verdadeiras num “encontro” com seus pais. É interessante ver que sua mãe está com o rosto coberto de Sangue, e ao ser questionada o porquê de estar assim, ela responde “É assim que você se lembra de mim Bruce”. Ao reencontrar seu pai, o mesmo diz que não reconhece mais o próprio filho, e por fim, Bruce percebe que esquecer a dor necessariamente não quer dizer que ele ficou apático.

Isso é melhor explorado em 52 (por quem, por quem, hã?), especificamente na edição/semana 30, onde Bruce procura se libertar de seus demônios e recorre a tribo dos Dez Olhos, onde treinou para se tornar o Batman. No fim, ele se diz livre de seus demônios, e a partir daí, a postura de Bruce como Batman começa a mudar, mesmo que de forma sutil. Quando volta desse ano de buscas e novas direções, retoma os seus objetivos, reencontra suas motivações verdadeiras e recupera a confiança. A prova disso é o envolvimento emocional com a modelo Jezebel Jet, a quem até revela sua verdadeira identidade (mais tarde veremos o por quê).

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Contudo, Zur-En-Arrh ainda estava dentro de Bruce. E o “Luva Negra” percebendo que agora Batman estava mais forte, resolveu partir para uma Expansão Agressiva (desculpe, mas tive que dizer assim!). Prova disso é que a partir de Batman 655 (pub. no Brasil em Batman 58 pela Panini), podemos ver pichações escritas Zur-En-Arrh em toda a Gotham (apesar de que, ao que parece, Bruce não consegue enxergar essa palavra, como visto em Batman 677. O efeito seria só se ele a ouvisse). Com o luva negra agindo e mexendo com a cabeça do Batman, era só uma questão de tempo até ele surtar, e é claro que eles iriam dar uma ajudinha…


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Suporte o Multiverso DC.com:
  1. Essde lance do “retirar a mascara e abandonar a carreira contra o crime” é interessante,porque toda hora que acontece algo dramatico em relação ao Batman,essa frase é proferida,fazendo ele se questionar do que faz é reralmente certo.Sendo que Jezebel tvm já proferiu essa frase durante RIP,assim pressionando ainda mais o Bruce.É isso que as pessoas não entendem,RIP não é sobre a morte fisica,mas a tentativa da morte espiritual,daquilo que o faz ser o Batman,daquilo que o inspíra a fazer o que faz.A partir dái,não há morte,mas renascimento do que o simbolo do morcego representa,e o conceito do que é o personagem só tem a expandir e enriquecer,coisas que pelo jeito,as historias envolvidas no Batman Reborn fazem mto bem.Batman deixa de ser uma pessoa e se torna,depois de realmente muuuuito tempo,um simbolo que as pessoas podem seguir,sem se ater a regras ou classificações.

  2. Daniel Faria disse:

    Continua excelente. Obrigado por traze isso a nós!

  3. Luís Alberto disse:

    Diogo, palmas pra vc. É isso mesmo! E obrigado ao Daniel, em nome da equipe!

  4. Toshyro disse:

    Eae, pessoal!
    Essas matérias estão demais, mesmo. Parabéns.
    Mas quando vão falar daquela coisa que anda nas costas do Bat-Mirim? Ou já falaram e eu perdi?
    Abração e obrigado!

  5. Luís Alberto disse:

    E aí Toshyro, tudo certo? Cara, o lance é o seguinte, o texto em si tem mais a ver com o lance psicológico do morcego.
    Mas vamos pensar um pouco: a primeira aparição desse Bat-Mite (ou Bat-mirim) foi em Batman 672, onde não víamos direito o que era essa criatura atrás do mini-morcego, contudo, sabíamos que era algo maligno. Vemos depois que possui uma forma de um inseto ou aranha, e que está sempre atrelado ao duende, certo? Então essa coisa maligna está atrelada ao Bat-mirim… Hum…
    Mais a frente você vai entender o que é o Bat-mirim na cabeça do Morrison (não apenas um duende de outra dimensão – como ele mesmo fala em Batman 680), e entendendo isso, vai conseguir vizualizar o símbolo dessa aranha grotesca presa a ele, e que relação isso tem com ZUR-EN-ARRH. Se não ficar claro, posto um comentário como adendo. Abraço!

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