Retrospectiva Novo Krypton: O Último Filho Parte 1
PARTE 1: CapÃtulo 1 – O Último Filho
(Action Comics #844, nos EUA / Superman #64, no Brasil)
Sinopse Um foguete chega a Metrópolis trazendo um garoto, que Superman acredita ter vindo de Krypton. Percebendo o que isso significa, todos querem o garoto pra si: o herói, os militares e, claro, os vilões. Estaria o garoto destinado a ser o novo Superboy?
Last Son é badalada desde sua primeira faÃsca do que o projeto viria a se tornar. Ter Richard Donner no comando do personagem após mais de 25 nos de distância é, no mÃnimo, motivo de ansiedade, principalmente por este estar envolvido com uma das mentes mais brilhantes dos quadrinhos atuais: seu ex-assistente Geoff Johns. O resultado da cooperação da dupla, como um todo, é uma leitura agradável, atraente e meticulosamente bem bolada. No decorrer deste primeiro capÃtulo é possÃvel perceber o quanto veremos do Superman cinematográfico de 1978 nas páginas que irão se seguir.
Tudo começa com o protagonista (numa cena brilhantemente desenhada por Adam Kubert) falando com o holograma de seu pai na Fortaleza da Solidão. Mais cinema do que isso, é impossÃvel! No decorrer da história vemos que o dedo de Donner nos roteiros é bastante expressivo, como, por exemplo, nas personalidades adotadas para os coadjuvantes do universo do Homem de Aço. Gente como Jimmy Olsen, Perry White e até a esposa Lois Lane, ganharam nova vida, mostrando que suas personalidades são nada mais que uma modernização das mesmas do clássico filme de 78. Perry é aquele chefe turrão que quer mostrar sua sabedoria através de lições de moral envelhecidas com o tempo, Jimmy é o fotógrafo desastrado que sempre acaba recriminado e até Clark, que voltou a ser o bobão corcunda, retraÃdo e inseguro. Mas isso muda com a chegada do garoto e aqui que temos a primeira dica de onde os autores querem nos levar.
A queda do foguete (que foi capaz de gerar cenas magnÃficas traçadas por Kubert) faz com que Superman levasse o garoto a ser examinado no Departamente de Assuntos Meta-humanos e a revelação de sua origem não poderia ser mais assustadora: o garoto é Kryptoniano, mas não se lembra muito de seu passado. Ponto o garoto pra dormir, após um rápido diálogo em kryptonês, o Homem de Aço promete ao garoto que estará com ele quando acordar, mas não é o que acontece.
Se nos personagens coadjuvantes, Donner fez um ótimo trabalho, no protagonista vemos seu verdadeiro trunfo. O Superman de “Last Son” é, definitivamente, um herói evoluÃdo daquele de 78, mais imponente e maduro, porém mais humano e sentimentalista. Ao descobrir que o garoto fora levado a um centro de pesquisas secreto, ele voa em disparada ao seu encontro, enfrentando a lei, soldados e cientistas americanos para recuperar o que pode ser mais uma lembrança viva de seu planeta.
Tudo termina de forma muito poética, com o maior super-herói do mundo na porta da casa de seus pais com o garoto no colo, pedindo conselho a seus velhos e humildes pais. Apesar de ainda ser uma edição bem crua, o potencial deste arco é quase palpável, e deixa uma sensação que poucas revistas em quadrinhos conseguem hoje em dia: te deixar maluco esperando pela próxima edição.
GEOFF JOHNS FALA SOBRE O ÚLTIMO FILHO (2006)
Geoff Johns: hoje um arista renomado no mundo dos quadrinhos, Johns, em seu inÃcio de carreira, foi assistente pessoal do diretor Richard Donner, seu atual parceiro de roteiros da revista Action Comics. Começou a trabalhar para a DC Comics em 1999 e hoje é um dos escritores mais famosos e requisitados do mercado, já tendo trabalhado em revistas como SJA, LJA, Novos Titãs, Lanterna Verde e Superman. Foi responsável pelas sagas mais importantes do Universo DC nos últimos anos, como Crise Infinita e 52.
Richard Donner: o famoso cineasta nasceu em 1930, e fez seu nome por participar de produções como Agente 86, Além da Imaginação (ambos para a TV) e A Profecia, mas foi com Superman, estrelado por Christopher Reeve, que Richard chegou ao estrelato, fazendo com que o gênero dos filmes super-heróis fosse, pela primeira vez, respeitado como um filme de verdade. Teve seu projeto da continuação, Superman II, cancelado na época, fazendo com que fosse substituÃdo por outro diretor, que concluiu o filme. Com a volta de Donner à s rédeas do persongem na HQ, a Warner lançou nos EUA sua versão completa para a continuação do clássico filme de 1978.
Adam Kubert: o exÃmio artista vem de uma famÃlia de desenhistas: seu pai (Joe Kubert) e seu irmão Andy também trabalham no mercado de hqs americano. Adam possui um traço peculiar e bastante expressivo, que alega ter sido influenciado por gente do gabarito de Alex Toth, Will Eisner, Frank Miller e seu próprio pai. Trabalhou muitos anos com Mark Millar em Ultimate X-Men e, atualmente, está na DC Comics.
Na entrevista a seguir, feita em novembro de 2006, ambos os roteiristas falam um pouco sobre suas idéias para o projeto e como chegaram até ele.
NEWSARAMA: Geoff, Dick, vocês poderiam falar um pouco sobre o inÃcio do relacionamento de vocês? Tenho certeza que alguns fãs já sabem, mas muitos ainda não.
RD: Geoff pediu dinheiro emprestado pra mim e nunca pagou. É por isso que me mantenho perto dele desde então. Espero que um dia me pague!
GJ: Eu precisei dessa grana porque eu trabalhava de graça pra você! Quando mudei pra California só tinha $1500, mais nada. Então eu e meu companheiro de quarto comÃamos pizza de 99 cents para que esse dinheiro pudesse durar.
RD: AÃ ele me ligou.
GJ: Eu liguei porque fiquei sabendo que havia um vaga de estágio não remunerado para acompanhar Dick em seus trabalhos e eu queria fazê-lo.
RD: Então Geoff apareceu e eu precisav de um novo assistente. O garoto acabou conseguindo o emprego.
NRAMA: Dick, você deve ter ficado muito orgulhoso de ver Geoff subir os degraus do sucesso, de um assistente pessoal, a um renomado escritor. A que você acha que deve tudo isso?
RD: Bem, o garoto ouviu muitos dos meus conselhos. [risos]. Estou brincando. Existem palavras como inteligência, criatividade e muitas outras, e Geoff possui todas. Ele sempre quis usar sua criatividade, tentando ingressar em novos projetos e melhorando cada vez mais suas qualidades.
NRAMA: Geoff, por outro lado, você está tendo a chance de trabalhar com um grande Ãdolo seu, devido principalmente a Superman – O Filme, mais uma vez, mas finalmente escrevendo um arco de histórias para o personagem COM ele. Como se sente?
GJ: Jamais sonhei que teria tanta sorte na vida. Estamos colocando tudo que temos nestas histórias, que vão virar brinquedos e tudo mais, então é ótimo poder fazer isso com ele, um trabalho que é, ao mesmo tempo, uma diversão.
NRAMA: Dick, você poderia dizer que escrever quadrinhos era um sonho seu? Ou trabalhar com Geoff em um projeto assim? Ou tudo isso junto?
RD: Foi a chance de poder trabalhar com Geoff. É realmente uma iluminação em minha vida. O aprendiz se torna o mestre e o mestre se torna o aprendiz. Como no Superman.
NRAMA: Então, como este projeto realmente tomou vida?
GJ: Dick tinha uma página original de um de meus trabalhos em seus escritório. Então, um dia pensei como seria bom se tivéssemos páginas originais de um trabalho conjunto, e veio a idéia do Superman. Graças ao editor Matt Idelson, tivemos essa chance em um tÃtulo mensal.
NRAMA: Quando a história começa e quando ela termina?
GJ: Ela começa em Action Comics #844. Nós quisemos Action Comics, tudo começou com ela. O final ainda está em aberto.
NRAMA: Falando criativamente, como funciona o trabalho de vocês? Juntam partes de cada um ou escrevem tudo juntos?
GJ: Sim, nós sentamos juntos e temos nossos brainstorms. Após este processo criativos, damos nossas opiniões, eu faço o roteiro e repasso para o Dick dar uma polida.
NRAMA: Geoff, o que Dick trouxe de novo, que é particular dele e complementa você de forma criativa?
GJ: Acredito que Dick tenha uma capacidade incrÃvel de contar histórias. Eu ouvi suas idéias por anos e sempre me fascinaram. Além disso, ele não tem grande conhecimento da cronologia dos quadrinhos, então quando apresento um personagem que será utilizado na história sua reação é sempre uma novidade, o que torna este projeto mais rico.
NRAMA: Dick, a mesma pergunta pra você.
RD: Geoff é aquele cara que traz consigo biscoitos e um conhecimento incrÃvel de tudo que está acontecendo. Ele conhece os personagens envolvidos e respeita muito seus passados.
NRAMA: É claro que não queremos deixar o Sr. Kubert de fora. O que vocês podem falar a respeito de suas artes para o tÃtulo?
RD: Eu fico abismado ao olhar para as páginas dele. Onde estava este garoto quando eu filmava Superman? Teria me poupado tanta doe de cabeça…
GJ: A arte de Adam é maravilhosa, e ele está ultrapassando seus limites para fazer seu melhor trabalho.
NRAMA: Dick, obviamente você ficou muito famoso pelo envolvimento com o personagem há tantos anos atrás. Você diria que o personagem evoluiu daquela época pra cá?
RD: O que Bryan Singer fez foi muito bonito. Não ficou tentando contemporizar o personagem, manteve todas as suas raÃzes.
NRAMA: Geoff, quanto do que você planejou para a Crise Infinita e para o Superman pós-Crise se tornou realidade? Existe alguma coisa especÃfica que vem aparecendo nos últimos meses?
GJ: Sim, há uma direção definida e mudanças aparecendo no tempo certo.
NRAMA: Bem, essa é a hora em que tentamos implorar por alguma informação de vocês a todo custo. O que podemos esperar para Superman em Action Comics?
RD: Bem, eu amo Brainiac.
GJ: Sim, isso é verdade. Mas ainda não vamos revelar nada do que planejamos após esse revival do filme que é o primeiro arco. Você poderá ver Bizarro, Zod, o Parasita e muitos outros personagens totalmente reimaginados. Fiquem de olho!
Tags:Adam Kubert, Geoff Johns, Novo Krypton, O Último Filho, Richard Donner, Superespecial, Superman
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Rapaz, esse arco de história é sensacional! Como eu queria que o Donner continuasse trabalhando com o Johns nas HQs do bom e velho Super. E o que dizer do traço do Adam Kubert? Posso assegurar que é um dos melhores trabalhos do desenhista.
po muito bom o artigo. realmente de Last son e uma das melhores coisas escrita sobre o azulao
boa matéria. Parabéns!
Em tempo: A Panini podia lançar last son encadernado.
Tái um arco que até hj me arrepenmdo MTO de não ter comprado(apesar de ter lido).Vou ver se corro atrás do encardernado gringo…
A panini podia se coçar e lançar um encadernado deste arco.
Até eu que nunca fui fã do azulão ia comprar hehe