Por Luis Alberto
Considerado por muitos o melhor futuro da DC, a série Batman Beyond (Batman do Futuro, aqui no Brasil), apresentou aos fãs uma nova visão do Homem Morcego, como jamais havia sido dado ênfase. Vemos um Bruce Wayne já pelos seus 80 anos, aposentado a pelo menos 20, que tem sua vida invadida pelo impetuoso jovem Terry McGinnes. A vida de ambos jamais seria igual novamente, pois Terry seria o novo Batman. A série, a príncipio, seria voltada para o público juvenil, mostrando um Batman adolescente, mas o clima denso e as emoções pesadas envolvidas na série (como pode ser visto na própria abertura do desenho), conquistou muito mais o público adulto, que já estava sendo o alvo principal desde Batman: A série animada. O sucesso foi tamanho que não demorou muito para que os produtores do desenho desejassem fazer um filme animado, baseado na série (tal qual foi “Batman – Máscara do Fantasma” com a série original). Contudo, qual seria o “plot” do filme? O próprio nome já diz não?
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Ao contrário do que pode parecer a primeira vista, esse retorno do Coringa não foi posto de forma ruim, querendo empurrar o personagem goela abaixo dos espectadores (como ocorreu muito nos quadrinhos na década de 90). O enredo é muito bem escrito, e explica algumas pontas soltas (deixadas soltas propositalmente) da série, como o fato de Bruce nunca mencionar o que ocorreu com Asa Noturna, Robin, ou o Coringa. Além disso, o filme animado é extremamente denso (mais até que Máscara do Fantasma) e violento, tanto que houve cenas até que foram cortadas pelos próprios produtores do desenho (como uma cena em que o velho Bruce vai as ruínas do Arkham e vê um boneco do Coringa – representando seu cadáver – pendurado no teto e pichado com um EU SEI bem visível).
Mesmo com esse pré-corte, o órgão responsável nos EUA considerou a animação imprópria para o público infanto-juvenil, pois continha (muitas) citações a morte e assassínio, além de em alguns momentos, sugestões sexuais (na verdade, isso ocorreu porque à época, havia ocorrido um massacre numa escola americana, provocado por um aluno, e eles não podiam incentivar nada “violento”). As mudanças mais visíveis, no entanto, foram, a troca das informantes da Batgirl (de duas prostitutas, passou a ser um casal) e o modo que o Coringa morreu, além é claro, das inúmeras vezes que vemos os personagens sangrarem. Contudo, nada que prejudicasse a coesão e beleza do roteiro. É com certeza um filme que te deixa ansioso a cada minuto, mesmo não sendo de longa duração.
Repare na diferença entre a versão original (à esquerda), e a editada, à direita. Percebem que em uma delas a morena é uma prostituta (que deveria estar vestida de Caçadora, para acompanha a colega de Canário – hehehe) e na outra, está acompanhada do (suposto) namorado.
Lançado no natal de 2000, a história começa com uma perseguição de Batman/Terry a nova gangue dos Jokerz (bandidos de segunda, que usam a mesma pintura de guerra do palhaço do crime). Investigando, descobre que esse é mais um de uma série de roubos de artigos tecnológicos, provavelmente, espionagem industrial. Mas as atenções de Gotham estão menos focada para os crimes, e mais direcionadas para a volta de Bruce Wayne a presidência de sua empresa. Num baile beneficente em comemoração ao acontecimento gothamita, temos uma surpresa: os Jokerz invadem a festa e junto deles, o seu chefe: O CORINGA.
Após uma luta contra o Batman, os criminosos fogem, e Bruce fica perplexo. Terry tenta extrair alguma informação de Wayne ou de Bárbara Gordon, mas é inútil. Nenhum dos dois acredita que possa ser o Coringa, e ambos mandam Terry se afastar do caso. Pressionando Bruce ainda mais, McGinnes argumenta que outrora havia ouvido histórias de todos os vilões do Batman, menos do seu principal inimigo. Por que Bruce fugia tanto desse assunto? Ele afirma que, mesmo as vozes dos dois palhaços serem idênticas, esse Coringa não poderia ser o “original”, pois o mesmo havia morrido na sua frente. Isso só atiça mais o questionamento de Terry, que passa a crer que Batman foi forçado a matar o palhaço do crime. Perguntando a Bruce se isso era verdade, ele não afirma nem nega, só manda que Terry devolva o manto do morcego, afirmando que “Não poderia forçar ninguém a viver essa vida”, e após Terry tentar argumentar, o velho Wayne diz “Garoto Idiota! Não sabe o que quer! Nenhum de vocês jamais soube!”. Perceberam? Ele não está só se referindo a Terry, mas também a Dick, Barbara e a Tim Drake. Aos poucos vamos vendo o desenrolar da história. Terá Bruce mesmo se tornado um assassino? E o que ocorreu aos outros pupilos do morcego? Se você não viu este filme AINDA, recomendo que pare de ler o artigo neste momento, pois abaixo comentaremos fatos que ocorrem na história, e você pode ter certeza que a surpresa é muito bem construída, portanto, vá assistir ao filme e depois volte!
Voltando, Terry abandona seu “trabalho” com Wayne e passa a ter sua vida de volta. Para comemora vai a uma boate com sua namorada, Dana. Mas lá é atacado pelos Jokerz, que queriam ferir ele, não o Batman. Cansado de segredos, McGiness volta à mansão, mas descobre algo terrível: o Coringa a invadiu e envenenou Bruce com sua toxina. Aplicando-lhe um antídoto, Terry se questionava ainda mais: como o coringa sabia a identidade de Bruce? O que estava acontecendo? Sem saída, Bárbara enfim, conta o que aconteceu, e é estarrecedor para quem vê pela primeira vez.
Quando Tim Drake ainda era jovem, Coringa e Arlequina o raptaram. Torcendo o submundo de Gotham em busca do garoto, Batman e Batgirl descobrem onde ele pode estar, e seguem para as ruínas do Asilo Arkham (a essa altura, apenas um prédio abandonado – possivelmente pela invasão de Darkseid mostrada em JLU, mas vamos deixar isso para outro dia). A cena em questão é magnífica, pois a medida que Batman vai entrando no lugar, ouvimos uma canção um tanto sombria, entoada pela Arlequina, digna de qualquer filme de Terror. Seguindo a sequencia, vemos como o Coringa torturou Tim, extraindo seus segredos (incluindo a identidade do Batman), e convertendo o jovem Robin em uma diabólica versão mirim do próprio palhaço. Com Batman ferido e abalado psicologicamente (por conta de Tim), o Coringa prepara seu grand-finale dando uma arma ao jovem, para que matasse o morcego. Não conseguindo fazê-lo, acaba matando o Coringa (com um tiro na versão original, e eletrocutado na editada), manchando a vida de todos os que estavam ali para sempre.
“This is not funny… This not.. ungh!” – A morte do Coringa nas versão original e editada.
Com algumas dúvidas sanadas e outras surgindo, Terry vai atrás de Tim Drake, hoje um Engenheiro de Telecomunicações, que não parece ter ficado feliz com o que ocorreu com Bruce, mas nem por isso, guarda boas recordações dele: “Demos nosso melhor, mas não era bom o suficiente para o velhote”. Seguindo a investigação, e achando que Drake está limpo, vai atrás de Jordan Price, segundo na linha se sucessão da Wayne Enterprises (alguém que se beneficiaria muito com o afastamento de Bruce). Cogitando ser ele o “falso” Coringa, vai interrogá-lo, mas acaba o salvando da aniquilação por um raio de fusão binário (igual ao usado pela liga em JLU), manipulado pelo Coringa. Deixando Price a cargo da polícia (junto com as provas de seu envolvimento com os Jokerz), volta à caverna para levantar novas hipóteses. Se Price não era o Coringa, quem seria? Com Bruce parcialmente recuperado, os dois pensam juntos, e McGinnes percebe que a única roupa destruída na Caverna, quando o Coringa a invadiu, foi a do Robin. Isso somado ao fato de Drake não guardar boas recordações da roupa, ser um engenheiro de telecomunicações e que os artigos roubados na onda de crimes recente, se combinados, geram um mecanismo que pode controlar satélites a distância, levam a crer que Tim Drake estava trabalhando para o Coringa.
Seguindo o seu rastro até o covil do vilão (após uma cena de perseguição excelente, onde Terry foge do raio destruidor por toda a Gotham), encontra o Sr. Drake confuso no local. Contudo, a verdade logo é revelada: Tim Drake não trabalha para o Coringa. Ele é o Coringa! Na verdade, o palhaço incutiu suas memórias e parte do DNA num micho-chip usando nanotecnologia (roubada do CADMUS, como visto em JLU), e implantou em Tim durante as sessões de tortura. Durante anos se manteve quieto, e aguardou pacientemente até a hora que pudesse sair e tomar finalmente o controle. Após uma luta digna de um bom filme de ação entre os dois eternos inimigos (com direito até a uma joelhada no… bem… no “saco de risos” do Coringa), o Batman destrói o chip e re-converte Tim Drake ao normal, salvando sua vida e sanidade.
O filme termina com a amizade de Bruce e Tim reatada após tanto tempo, que é caracterizado apenas por uma fala, mas que mesmo assim é bem emocionante, e Wayne dizendo a Terry que não é o manto do Batman que o faz digno, e sim o contrário. Por fim, vemos um final que emula Máscara do Fantasma em muitos aspectos (e por isso é tão bom), com Terry como protetor de Gotham, no alto do prédio mais alto, voando sobre sua protegida cidade.
Não há muito mais a se falar sobre este filme. O sucesso foi tanto que foi cogitada uma quarta temporada para Batman Beyond, e até um segundo filme baseado na série, focado mais nos destinos de Selina Kyle e Dick Grayson. Contudo, sabiamente, o pai do DCAU (B. Timm) resolver deixar um pouco de lado essas idéias, preocupado com o desgaste da história, resgatando esses elementos brilhantemente em JLU, anos mais tarde, e mesmo assim, deixando ainda várias pontas soltas que podem vir a ser usadas futuramente. Além disso, vemos em alguns momentos, uma crítica dos produtores a Jason Todd, como se o Batman jamais tolerasse alguém como ele (apesar do 2º Robin do DCAU ser uma mistura de Jason e Tim, ele nunca fora insubordinado), numa referência de Terry ao tipo de vida que levava como “bad-boy”. Vale ressaltar ainda, a trilha sonora de Kristopher Carter, que abusa (no bom sentido) dos sons de sua guitarra nos backgrounds do filme, dando todo o ambiente “tecno-gótico” propício para a animação, e nos créditos finais, é absurdo o que faz com o Main Title! Para nenhum fã de Guitar-Hero pôr defeito!
Por fim, mesmo tendo sido feito essa tragédia na história de Tim Drake, o filme é excelente. Para os fãs de Tim, que se recusam a assistir o filme, uma coisa: também não é trágico termos Bárbara Gordon até hoje numa cadeira de rodas? Vejam, esses dois diferentes aspectos serviram para mostrar toda a loucura psicótica do Coringa, e como ele é realmente perigoso, não só um maluco engraçadinho. Como jamais ficou indicado que Babs se tornara paraplégica no DCAU, era necessário pegar alguém para mártir, e esse alguém foi o Tim. Mesmo assim, tudo acaba bem no final para todos. Então, mais do que recomendada essa animação. E você caro leitor? O que acha disso tudo? Gostou ou não da história? Dê sua opinião. E fiquem também com a belíssima arte de Dustin Nguyen feita em homenagem ao filme. Até a próxima DCNautas!
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Tags:Batman do Futuro, Bruce Timm, Coringa, Paul Dini, Resenhas
Suporte o Multiverso DC.com:


















17:58 on outubro 15th, 2009
Tenho a impressão(posso estar errado,mas foi isso que o episódio passou) que Selina Kyle se tornou uma mestra ninja e foi morta salvando Gotham da bomba do Rei Cobra(esse episódio tem 2 partes).
O que eu posso dizer?Se Mascara do Fantasma trouxe uma otima historia,O retorno do Coringa trouxe,alem da historia,a maturidade e a violência de que certa maneira já estavam nas hqs do Batman em muito tempo.Não só um otimo desenho do Batman,mas um classico das animações ousado.
20:07 on outubro 15th, 2009
mas o melhor é o Ace
20:24 on outubro 15th, 2009
Não podemos esquecer que o B. Tim trouxe em JLU um episódio épico onde somos apresentados a esse futuro, onde temos o Batman na ativa e o Bruce de 80 anos, sem falar que nesse universo existe o Static Shock phodão, se falar na clássica cena do interrogatório no telhado dos Batman clássico e do velho Bruce, sensacional.
Espero que o B. Tim volte em breve com mais ótimas animações junto com Paul Dini, sendo que tivemos um aperitivo no último jogo do Morcegão
20:29 on outubro 15th, 2009
Aquela mestre ninja do episodio dos cobras não é a Selina, aquela velinha foi uma das aprendizes do Sensei de Ninjitsu do Bruce na seria animada.
21:27 on outubro 15th, 2009
Justamente Rodrigo. Bruce Timm omitiu o máximo que pôde sobre o que aconteceu com Selina e Dick, justamente por haver esse projeto futuro. A última aparição da Mulher-Gato por exemplo, foi no especial “Chase Me”, do DVD “Mistery of the Batwoman”, e Dick aparece em JLU, mas em ambos os casos, nada de significativo.
O próprio Stan Berkowitz, escritor de muitos episódios de Batman Beyond e da série animada do Superman, afirmou em uma entrevista que poderíamos ver Terry novamente (e provavelmente em breve).
O que rola a boca miúda seria que tanto Bruce Timm, Allan Burnett e Paul Dini desejavam explanar o Apocalipse de 2009 e a descoberta de Terry que ele (e seu irmãozinho!?) possuem o DNA de Bruce em novas animações do Morcego, mas a Warner preferiu investir em animações fora do DCAU após o fim de JLU (por enquanto, pelo menos) .
23:42 on outubro 15th, 2009
O filme é phodão.
Em tempo: as prostitutas da versão original, me aprece, São a Canário e a Cigana, não?
Em tempo 2: “Assassínio”?
11:10 on outubro 16th, 2009
“…a descoberta de Terry que ele (e seu irmãozinho!?) possuem o DNA de Bruce…”
que eu me lembre isso já foi falado em JLU
só Terry é concequencia da inseminação artificial, o irmão dele não
não é isso?
12:28 on outubro 16th, 2009
@ Rodrigo:
em tese,s etriam ambos, já que o DNA de Bruce foi implantado no pai do Terry.
15:15 on outubro 16th, 2009
a bom
não lembrava também assim da historia
valeu Brunão
19:32 on outubro 16th, 2009
@ Brunão: É assassínio mesmo. Caiu no desuso, mas existe
Mas o lance do irmão do Terry ter o DNA do Bruce é sério mesmo. O Bruce Timm, nos extras da Season 2 de JLU, comentando sobre o episódio “Epilogue” afirma isso. (lol)
19:39 on outubro 16th, 2009
@ Brunão 2: Não cara, são duas prostitutas mesmo. Elas até aparecem em um episódio (A Ultima Emoção) da Série animada do Batman como informantes da Batgirl (ela até faz um comentariozinho com um duplo sentido do cacete sobre elas com o Batman). Saca só:
http://www.worldsfinestonline.com/WF/batman/tnba/episodes/11ultimatethrill/15.jpg
19:00 on outubro 18th, 2009
Não Luís, eu sei que são duas prostutitas. Me refiro só ao visual, mesmo. Vc inclusive comentou que uma delas parecia a canário. Então, a outra tá com o visual da cigana.
18:43 on outubro 20th, 2009
Hahaha! Pô Brunão, pior que é! Será que isso é feitiche? Bwahahaha