30/9/2009

Postado por Morcelli em Destaque, Dossiê | 1 comentário

ZUR-EN-ARRH – Parte 03: A última lembrança feliz e os signos da loucura

[ZUR-EN-ARRH - Parte 1] / [ZUR-EN-ARRH - Parte 2]

Por Luis Alberto

bruce-wayne-morte

Certa vez, num embate contra o Dr. Milo, Batman “encontra um sósia de outro planeta”, (logicamente num devaneio provocado pela droga da arma de gás do vilão). Neste mundo, “Zur-En-Arrh”, Batman era mais esperto, mais rápido e mais forte. Em resumo, era tudo o que Bruce queria (ou precisava) ser. Zur-En-Arrh então, era o mundo ideal para Bruce, pois caso fosse igual a Tiano (seu sósia alienígena), jamais seus pais teriam sido mortos. Essa palavra esquisita, deriva na verdade, da última coisa que Bruce ouviu, imediatamente antes do trauma que mudaria sua vida. Em Batman 681, os Wayne estavam saindo do cinema, falando sobre o filme do Zorro, e Bruce brinca, imaginando-se como um justiceiro tal qual o herói do filme. O Pai então rebate dizendo que provavelmente Gotham jogaria alguém como Zorro no Arkham (”Zorro in Arkham”). O pequeno Bruce não ouviu direito, e entendeu algo próximo, Zur-En-Arhr. Essa frase representa o último instante de felicidade na vida de Bruce, e naquela alucinação, aparece como a materialização dos seus desejos (por isso, este mundo tem o nome da última lembrança feliz de sua vida, sacaram?), o que nos leva a crer que apesar de Bruce amargar a morte dos pais, ele também aprendeu a gostar de ser o Batman (essa questão gera muita controvérsia, variando de autor para autor. Frank Miller defende essa idéia, mas na série animada, por exemplo, o Batman é um fardo, ou uma responsabilidade, que Bruce carrega até quando ele conseguir se manter de pé). Além disso, ele não se vê como Bruce Wayne, e sim como um soldado capacitado e inteligente que se veste de morcego (por isso seu desejo foi ser mais capacitado, e não se ver livre do manto, com seus pais vivos).

bruce-wayne-zur-en-arrh

Além disso, a frase (Zur-En-Arrh) em si é um símbolo, tal qual Bruce ajoelhado aos pés de seus pais, o juramento sob o túmulo, ou o morcego rompendo a janela da mansão Wayne. No primeiro caso citado, temos o choque. A perda da infância e do significado do que é uma vida feliz, a morte (figurada) do pequeno Bruce. No segundo, a reação. A postura assumida por Bruce diante dessa situação. A promessa feita a seus pais. Um crescente desejo de fazer justiça. O nascimento (consciente) do Batman dentro de Bruce (pois segundo a maior parte dos escritores, inconscientemente, Batman nasce já na morte de seus pais). Com o passar dos anos, essa figura interna buscando por maneiras de fazer justiça foi querendo sair, e quando sai, rompe a barreira da sensatez, sendo caracterizado pela terceira figura citada anteriormente. É o nascimento “físico” do Batman.

A genialidade de Morrison está em considerar que na verdade, Bruce pode ter enlouquecido, mas porque quis! Zur-Em-Arhr simboliza todo o percurso das figuras anteriores: a queda de Bruce à loucura resultante do trauma, e todos os mecanismos que ele desenvolveu para conseguir sobreviver no limiar da razão, com apenas um fio de sanidade. Para sobreviver e conseguir lutar, ele troca uma psicose por outra. No caso, a dor e sofrimento pela perda de seus pais dá lugar a obsessiva vontade de combater o crime e disseminar justiça. Prova da “loucura” por trás disso é a escolha de algo que ele temia (um morcego), para ser usada como avatar de sua guerra, levando medo ao coração dos maus.

bruce-wayne-juramento

Essa então, é a fraqueza citada pelo Dr. Simon Hurt em Batman 677 (visto no artigo anterior). A única coisa que pode “quebrar” Bruce é o seu medo, o seu trama não superado e os transtornos adquiridos por conta dele. Porém, segundo o próprio Hurt, Bruce tem plena consciência disso, mas de certa forma, controla esse “medo” e insegurança. O Objetivo de Hurt então é desenfrear este medo, aflorá-lo em Bruce aos poucos, e assim, destruir o Batman. Como? Continue acompanhando…


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Suporte o Multiverso DC.com:
  1. Muito bom, como sempre. Não sei se fui o único, mas essa página final foi um dos finais mais bonitos que já vi numa história em quadrihos e, confesso, me emociono só de pensar no significado dele…

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