Postado por Morcelli em Destaque, Dossiê | 5 comentários
ZUR-EN-ARRH – Parte 02: Solidão, Obsessão e Stress Pós-Traumático
Por Luis Alberto
Continuando a análise do artigo anterior, vamos voltar a Batman 673. Lá é enfatizado outro aspecto interessante da personalidade de Bruce: a Solidão. Batman sempre foi caracterizado como sendo um solitário, um homem que “não se dá ao luxo de ter amigos” (como visto em Batman Begins). Pode não ser do conhecimento de todos, mas a solidão excessiva é um sintoma de muitos transtornos comportamentais e sociais. Teria o Batman então algum transtorno comportamental? Sim, só pelo fato dele não seguir as convenções sociais e agir por conta própria, já denota algum distanciamento de qualquer restrição social. Além disso, percebemos que ao longo do tempo, a obsessão e a paranóia se tornam cada vez mais presentes em sua personalidade, restringindo seu circulo de amizades (como visto em Crise de Identidade e Crise Infinita, seus atos movidos pela insegurança tiveram conseqüências trágicas com o projeto OMAC). Mais uma prova do distúrbio citado.
Contudo, um homem com tantos traumas, pode permanecer nessas condições de estresse absoluto por quanto tempo? Ou ainda, quando ele romperá a porta da loucura para não voltar mais? Entramos agora na pesquisa do Dr. Simon Hurt, um psiquiatra que se diz “especialista” no Batman , e foca seu trabalho em descobrir as motivações psicológicas do vigilante. De acordo com sua tese, tecnicamente falando, Batman é reflexo de um homem que sofre estresse pós-traumático, mas o trauma o impulsiona a agir, ao invés de assumir uma postura passiva em relação ao mundo, como ocorre com a maioria das pessoas (visto na Ed. 78 de Batman – Panini, pub. originalmente em Batman 674).
Porém, Hurt (que já não é muito bom da cabeça), cogita a possibilidade da morte de Batman, e cria um projeto apoiado pelo exército e pelo DPGC (enquanto Gordon havia sido rebaixado a patrulheiro, referência de Morrison a história ocorrida em Detective Comics 121, de 1947!). Esse projeto visaria substituir o Batman caso o pior acontecesse (pior entenda morte ou colapso nervoso). Tudo isso, na verdade, era um pretexto de Hurt para levar o Homem Morcego a alucinações psíquicas, retirando seu foco da experiência e incutir nele a frase gatilho “Zur-En-Arhr”, até então por motivos desconhecidos.
Trecho de Detective Comics 121
Em Batman 677, vemos uma importante revelação: a frase gatilho (ainda desconhecida) é um mecanismo para “quebrar” a força de Batman, ferir sua alma. O chefe da Luva Negra diz: “Os Meios extremos que o nosso garoto usou para se fortalecer são fortes indicadores da fraqueza que ele sente que precisa superar. Essa Fraqueza ainda está dentro dele”. A que fraqueza estaria ele se referindo? Seria uma fraqueza física? Ou seria psíquica?
O que já sabemos é que a frase gatilho “Zur-En-Arrh” foi criada para destruir o Batman, fazer com que sua maior fraqueza se externe. Mas de onde vem essa palavra? Por que não “Constantinopla”? É o que veremos a seguir!
Tags:Batman, Batman 70 Anos, Batman: Descanse em Paz, Grant Morrison, Zur-En-Arrh
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Batman de Zur-En-Arr é a melhor critica feita a aqueles com visão estreita sobre o Batman.Se vc tira um o Bruce,tira aquilo que te dá humanidade,só sobra um louco violento.É uma critica ao Batman dark e violênto que a maioria dos fãs só querem ver,mas feita da forma mais extrema e caricata possivel.Morrison é um gênio!
Batman de Zur-En-Arr é a melhor critica feita a aqueles com visão estreita sobre o Batman.[2]
Morrison é um gênio![2]
Caraca, vocês são foda! O artigo ia chegar nesse ponto. A personalidade do Bruce Wayne meio que dá um freio de mão na “agressividade selvagem” do Batman.
Será que o Morrison quis dar um catucão no Frank Miller com isso? É até entendível que ele (Bruce) depois de velho, não ligue muito pra convenções, e se torne mais violento (senão ele morre!), mas o de All-Star Batman e Robin é jovem, e um sádico do caralho… (desculpe lembrar a vocês que isso existe…)
Olha, estou sem paciência com essas histórias retrô, ESSA história em particular já foi contada a muito tempo, é um remake que recebeu uma guariba para se encaixar no século XXI, ou seja, com muito mais psicologismo, violência, sangue e amoralidade, mas é a mesma velha história já contada a décadas, aqui mesmo nesse especial dos setenta anos do Batman tem uma matéria sobre a história, A legenda do Batman!
Não sei se podemos encarar o Batman alucinado e amoral de Zur-En-Arhr como uma crítica ao Batman psicótico do Frank Miller. Acho a visão do Miller absolutamente legítima e honesta. E foi revolucionária nos anos 80 quando do lançamento da obra prima The Dark Knight Returns. Não digo que o Batman tem que ser necessariamente um sociopata ultra violento. Eu digo que ele TAMBÉM pode ser um sociopata ultra violento.
Pessoalmente, eu vejo o Zur-En-Arhr do Morrison como uma reafirmação das ideias do próprio Frank Miller. Do Batman levado ao extremo e das consequências disso para si mesmo.