30/7/2009

Postado por Morcelli em Destaque, Entrevistas, Especiais | 3 comentários

Grant Morrison e sua magia punk

[sugestão do leitor The Doctor]

SDCC08 Grant Morrison[3]

Muita gente se pergunta sobre as crenças e magias do autor escocês Grant Morrison, já que é de conhecimento de todos que ele se envolve com conhecimentos antigos e ocultos, e acaba utilizando este tipo de cultura em suas obras de alguma forma. Por isso, logo abaixo segue o trecho de uma entrevista para a revista Arthur Magazine de alguns anos atrás, na qual o autor comenta como encontrou a magia e como viu nela as respostas para si.

Como você ouviu falar da magia do caos?

Eu tinha 19 anos e meio que achava que nada ia acontecer na minha vida (risos). Eu me achava ótimo e não entendia porque ninguém mais pensava isso. Eu não entendia porque era tão sozinho. O de sempre. Então fui pra um loja e peguei algumas revistas “Prediction“, que era direcionada a coias ocultas, mais exatamente com coisas astrológicas e algumas vagas noções de magia. Atrás dela tinha a propaganda de uma revista de curta tiragem chamada “The Lamp of Thoth” e resolvi procurá-la. Foi na época que Phil Hine começou a escrever muitos artigos, Pete Carroll e Ray Sherman e todos esses magos do caos, e Chris Bray, que tinha uma loja de magia em Leeds. Então eu meio que me envolvi com a magia e magia do caos.

Pra mim, era magia punk, pois excluía tudo sobre a magia que não fazia sentido pra mim. Sentei com os livros de Crowley e aquilo não fazia sentido nenhum pra mim, as coisas não se conectavam na minha cabeça. Era um emaranhado de deuses e símbolos sem sentido nenhum. Então, quando veio a magia do caos dizendo que ao invés de eu invocar Hermes poderia simplesmente convocar heróis velocistas da DC Comics como o Flash, o Flash aparecia, e então eu fiquei um tanto excitado (risos). Então eu pensei, “diabos, vou convocar Metron dos Novos Deuses” e lá estava ele! Aliás, era uma enxurrada de informações e conhecimentos se destilando de forma veloz e em linguagem de magia, falando comigo.

Grant Morrison FPNYC

Então, a Magia do Caos me ensinou a olhar para o que realmente estava acontecendo comigo quando eu estava “fazendo” magia – as mudanças em minha respiração, audição, percepção. Mudanças climáticas. Pressão. E o que acontecia de verdade na minha consciência de acordo com a atividade do momento. Meio que um drama. Eu comecei a acreditar durante os anos que existem sete estados diferentes do organismo humano, que nos permite interpretar diferentes papéis de acordo com as circunstâncias. Cada um de nós é capaz de assumir o papel de rei ou de criminoso se a situação pedir. Estes padrões foram representados no passado pelos planetas do sistema solar clássico, os panteões de culturas antigas. Existem sete padrões de personalidades na Arvore da Vida Kabbalística e existe o pólo do pai e da mãe, o pólo transcendente, o pólo mundano. Assim é a alma humana básica e eu acredito nisto. Se você é um aborígene australiano, não sabe nada sobre a Árvore da Vida Kabbalística, mas você tem que ter uma alma humana e tem que ter uma forma de ter os conceitos da mãe e do pai, do mundo e do transcendente, e diferentes personalidades. Portanto, você começa a ter uma série de sentimentos diferentes e diferentes metáforas para uma mesma quantidade de experiências humanas. Depois de muito estudo destes “sistemas”, fiquei mais interessado em passar pelas experiências e menos nas metáforas, deuses, atributos e números sagrados…

Portanto, a Magia do Caos era uma coisa meio pós-modernismo pra mim, e me ensinou a olhar para as coisas que realmente estavam acontecendo, entender a simbologia e então aplicar novas metáforas por mim mesmo. Ao invés de procurar algum espírito invocado por Crowley, eu procuraria meu amigo imaginário de quando tinha 6 anos de idade e lhe pediria ajuda, direto na minha imaginação e com muito mais força do que a simples idéia parece ter. A Magia do Caos leva a magia de volta à coisa do xamã, uma experiência mais pessoal.

Então eu meio que me tornei um xamã pop na cidade. Costumava procurar as guitarras perdidas das pessoas, curar animais, esse tipo de coisa. Alguma garota chegava num pub dizendo que tinha acabado de largar do namorado e me pedia para ler as cartas de tarô. E eu não tinha a menor idéia de como ler estas cartas, simplesmente aceitava, fingia que lia e dava certo. As metáforas destas coisas simplesmente começaram a cruzar o caminho conforme ia fazendo as coisas, meio que uma comunicação e participação com os trabalhos do universo.


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Suporte o Multiverso DC.com:
  1. abssyntho disse:

    o.O

    Lembrando que Morrison supostamente foi responsável por alavancar as vendas de Invisíveis através de “masturbação coletiva”!

  2. rioshomaru disse:

    morrison disse que não entendia por que era sozinho se ele se achava otimo. quem sabe ele não era sozinho por ser um loser que se achava o maximo? pode ser isso.

    e outra coisa? grant morrison é gay ? sem preconceitos,mas,esta foto do superman é a segunda foto que eu vejo que ele está numa situação meio estranha.

  3. The Doctor disse:

    xD

    Menino Morrison e sua magia do caos…

    Post nota 10!

    Acho a magia um dos campos de estudos mas fascinantes, e como autores como o Morrison e o Moore inserem conceitos de ocultismo/hermetismo em suas obras (graças a promethea do Moore que ainda pretendo estudas Crowley, Levi, Papus e outros ocultistas)…

    Achei muito motherfucker quando morrison [spoiler] fez o Superman derrotar o Darkseid com um contra-som em Final Crisis #7… usando o conceito cabalístico de que alguns sons no universo podem moldar a matéria!

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