Brasil não viu 9 – Universo Tangente: Coringa
Coringa do Universo Tangente, segundo a Wikipédia:
"uma anarquista fantasiada da cidade de Nova Atlântida que expõe as falhas e a hipocrisia do poder governamental". É uma maneira muito simples e até chata de definir uma personagem tão divertida.
A história, escrita por Ron Marz e desenhada por Matt Haley, é narrada pelo policial John Keel, e mostra nossa heroína anarquizando as autoridades de forma a envergonhá-los perante a sociedade. Jovem e graciosa, a protagonista tem sua própria forma, por mais estranha que seja, de lutar pelo bem e fazer o certo, mesmo que isso pareça errado, a primeiro instante, para a justiça.
Em seus 20 anos, Coringa é a única filha de um casal disforme, vítimas da radiação dos mísseis cubanos de 1962. Ela teve mais três irmãs, que morreram logo após nascerem devido às alterações genéticas que os pais sofreram. Daí vem a idéia da personagem utilizar 3 identidades diferentes quando não está sob a máscara do heroísmo – ela quer manter o legado de sua família vivo, mesmo que seja apenas para ela.
O narrador, John Keel, tem uma ligação especial com a protagonista: seu pai foi responsável pelo lançamenos dos mísseis de Cuba, em 1962. Ele consegue perceber essa ligação com ela, não por esse fator em si, mas porque, cada um à sua forma, os dois estão tentando fazer o que é certo: ele quer manter a "lei e ordem" na cidade, e ela quer mostrar que Nova Atlântida, por mais perfeita que seja, foi originada da dor e sofrimento de muitos, além de possuir defeitos sociais grotescos, o que pra ela não passa de uma piada de mal gosto.
Criação
Como todos os outros personagens do Universo Tangente, a Coringa foi inicialmente concebido por Dan Jurgens, e passou por algumas modificações no momento de ser escrita pelo roteirista. Dan escolheu seu amigo Ron Marz (criador do Lanterna Verde Kyle Rayner) para estar à frente deste título, o que deu muito certo.

Obviamente, um personagem tão importante como o Coringa não poderia ficar de fora deste Universo. A sacada foi fazer dele uma moça na faixa dos 20 anos, revoltada com toda a podridão do sistema e que quer mostrar o quanto o mundo está errado, de forma engraçada. A graça é uma fuga da realidade cruel que ela enfrenta desde pequena por suas origens e sofrimentos passados. Como na Piada Mortal de Alan Moore, bastou um dia ruim para que um homem passasse a ser um lunático; aqui, bastou um dia ruim para uma garota sentir a dor da realidade e se fazer rir, para não sofrer mais.
Se você ainda não se convenceu da riqueza que é o Universo Tangente, leia este título. Ele certamente ficará entre suas melhores leituras.
Nota: 10
Na semana que vem, mais Coringa, no SEXTETO SECRETO!





